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Brasil Supermercados tendem a repassar a seus clientes custos aos consumidores com fim da escala de trabalho 6×1

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"O supermercado não é formador de preço; se houver aumento de custo, ele tende a repassar”, afirmou. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan, afirmou que uma eventual mudança na escala de trabalho 6×1 pode gerar aumento de custos no setor, caso a decisão seja tomada sem um debate amplo com os elos da cadeia.

Segundo ele, o tema vem sendo acompanhado desde o fim de 2024 e já motivou estudos internos e testes operacionais por parte de algumas empresas. “Se houver uma decisão sem um amplo debate, isso poderá ter um grande impacto. O supermercado não é formador de preço; se houver aumento de custo, ele tende a repassar”, afirmou.

Milan destacou que algumas redes iniciaram projetos-piloto para avaliar os impactos de uma eventual adoção do modelo 5×2, alternativa em discussão no Congresso. “Estamos antecipando essa discussão e vendo como a operação do supermercado ficaria no dia a dia, inclusive avaliando a necessidade de novas contratações e os possíveis efeitos sobre os custos”, disse.

A discussão ganhou tração no Congresso. Também nesta quinta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 e afirmou considerar “muito viável” sua aprovação no plenário da Casa, com quórum constitucional.

Motta disse que os parlamentares não podem legislar apenas para uma “pequena elite” e defendeu que a tramitação seja conduzida com responsabilidade e ouvindo os setores impactados.

Redução da jornada no comércio pode tirar 0,32 ponto do PIB no curto prazo

A redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais sem compensação de horas trabalhadas pode tirar, de imediato, 0,32 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de um ano, conforme estudo de Ibevar — FIA Business School.

A projeção leva em conta apenas o impacto da mudança da jornada em oito segmentos do comércio varejista, um dos setores mais intensivos no uso da mão de obra.

De acordo com o mais recente Boletim Focus do Banco Central (BC), o mercado espera crescimento do PIB para este ano de 1,82%. De acordo com esse estudo, essa taxa de crescimento recuaria para 1,5%, se a redução de jornada fosse aprovada.

“A retração pode ser maior, se forem considerados outros segmentos, como o setor de serviços, que também é intensivo no uso de trabalhadores”, alerta o professor da FIA Business School Claudio Felisoni, presidente do Ibevar, responsável pela projeção. Ele frisa que o estudo trata da geração de riqueza que é medida pelo PIB, não o faturamento do setor.

Para chegar ao efeito do corte de jornada na economia como um todo, foram consideradas três hipóteses. A primeira é que a produtividade do trabalho e do capital sejam mantidas no curto prazo. A segunda, que o estoque de capital fique constante. E a terceira, que não haja uma compensação de horas trabalhadas por meio de novas contratações de trabalhadores ou de horas extras.

O estudo foca apenas na redução de 9,1% no número de horas semanais, levando em conta a participação do capital e do trabalho em cada segmento do setor varejista. E os efeitos do corte na jornada variam em cada segmento do varejo, de acordo com o peso do trabalho no tipo de operação. Com informações do portal Estadão.

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