Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

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Brasil Suposto hacker: envolvimento de ex-deputada e edição de mensagens foram abordados em depoimento


Ex-deputada afirma que antes de fazer ponte com jornalista Glenn Greenwald consultou advogados para ter segurança jurídica. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil)

Um dos presos por suspeita de hackear celulares de autoridades, Walter Delgatti Neto, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (26). De acordo com Delgatti Neto, ele teria tido acesso aos editores do site The Intercept Brasil, por meio da ex-deputada Manuela d’Ávila, do PC do B. O suspeito afirmou também que as mensagens não foram editadas e que não recebeu nenhum dinheiro em troca das conversas.

Para a polícia, Delgatti Neto disse que procurou o jornalista Glenn Greenwald por conhecer seu trabalho com o vazamento de documentos secretos nos Estados Unidos, no caso de Edward Snowden. O hacker explicou como teria sido seu processo de atuação:

  •  primeiramente, invadiu o Telegram do promotor Marcel Zanin Bombardi, de Araraquara, e, dessa maneira, conseguiu o contato de um procurador da República (de quem diz não se recordar), que participava de um grupo de Telegram chamado “Valoriza MPF”;
  •  após entrar no grupo, o suspeito teria conseguido o número de outro procurador, até chegar ao Telegram de Kim Kataguiri. Ao acessar a agenda de Kim, o suspeito teria hackeado também o número do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e do ex-procurador-Geral da República, Rodrigo Janot;
  •  a partir da agenda de Janot, Delgatti Neto teria conseguido chegar ao número do procurador Deltan Dallagnol, além de outros procuradores. O suspeito afirmou que só armazenou o conteúdo das contas de Telegram dos membros da Força Tarefa da Lava Jato do Paraná, por ter encontrado atos ilícitos nas conversas.
  •  a conta do Telegram do ministro Sérgio Moro, foi adquirida na agenda de Deltan, assim como a do ex-governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, por meio da qual, o hacker teria conseguido o contato da ex-presidente Dilma e, consequentemente, da ex-deputada Manuela d’Ávila.
  •  Manuela não teria acreditado no relato de Wagner, inicialmente, até que ele enviou um áudio para a ex-deputada com uma conversa entre procuradores da Operação Lava Jato.

Todos os passos descritos teriam ocorrido entre março e maio deste ano.

Em nota divulgada na rede social oficial da ex-deputada, ela confirmou ter sido intermediária do caso, mas disse que não tinha conhecimento da identidade de quem invadiu o celular. Além disso, Manuela se colocou à disposição para esclarecer qualquer fato da investigação, e apresentar seu aparelho celular.

 

Relembre o caso das mensagens publicadas pelo site The Intercept Brasil.

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