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Economia Supremo suspende todos os processos e investigações sobre a Moratória da Soja e interrompe inquérito

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Em importantes regiões produtoras de soja, o clima foi um desafio para os agricultores. (Foto: CNA/Divulgação)

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu nessa quarta-feira (5) todos os processos e as investigações em curso referentes ao que ficou conhecido como “Moratória da Soja”. A medida interrompe também os casos em andamento no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre o assunto. O último deles foi a abertura de inquérito administrativo contra 15 executivos de tradings por suspeita de cartel.

O pedido de tutela provisória concedido por Dino foi impetrado pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

A Moratória da Soja tornou-se a denominação para a união de empresas exportadoras que se comprometeram a monitorar por satélite e por auditorias independentes toda a produção da Amazônia e a criar uma lista de fazendas consideradas irregulares para barrar compras. Isso evitaria a perda de mercados e boicotes do exterior.

Trata-se de entendimento firmado em 2006 entre grandes tradings exportadoras de grãos, associações do setor e organizações ambientais.

É um acordo contestado por parte dos produtores e por associações. A alegação é que se trata de uma forma disfarçada de grandes empresas do setor acertarem preços e excluírem concorrentes.

A questão é examinada em três ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) no STF.

Dino decidiu que todos os processos sobre o assunto que estão fora do Supremo devem ser suspensos porque o que for resolvido em última instância terá efeito vinculante. Isso mantém a Moratória da Soja em vigor até que o Supremo tome uma decisão.

A moratória havia sido suspensa pelo Cade, mas a resolução foi revertida em caráter liminar pela Justiça Federal. Em outra decisão, o Conselho havia determinado a continuidade do acordo entre as tradings, mas apenas até 31 de dezembro, quando a suspensão voltaria a vigorar.

Os conflitos judiciais que estão no STF envolvem também pedidos feitos pela AGU (Advocacia-Geral da União), pelos governos estaduais do Paraná e de Goiás.

No texto da decisão dessa quarta, Dino cita pronunciamento preliminar que havia dado em um dos casos. Ele disse ser a Moratória da Soja um dispositivo que “fortaleceu a credibilidade do Brasil no cumprimento de compromissos internacionais de proteção ambiental, reforçando o papel do país como formador de produtos agropecuários sustentáveis no mercado global”, não tendo sido, em tese “marcada por ilegalidades.”

O ministro defendeu que a discussão seja feita no Supremo em nome da segurança jurídica. Exagerados litígios, ele acredita, “transbordam” o tema precocemente para “contendas múltiplas” e “outras instâncias administrativas” e “conflitos entre empresas envolvendo bilhões de reais.”

A Abiove afirmou, em nota, que aguarda a decisão final do Supremo. “Esse acordo, já reconhecido como legal e constitucional pela maioria dos ministros e reiteradamente valorizado por instâncias do próprio governo federal, é um instrumento legítimo de autorregulação e sustentabilidade. Sua proteção evita que interesses particulares e nebulosos comprometam uma política público-privada essencial para a credibilidade internacional do agronegócio brasileiro”, afirmam os representantes da associação, os advogados Guilherme Coelho e Fabiano Robalinho, do escritório Bermudes Advogados. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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