Domingo, 06 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de setembro de 2015
O STF (Supremo Tribunal Federal) desvinculou ontem da Operação Lava-Jato a investigação sobre a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR). Ficou decidido que os supostos desvios de dinheiro de contratos intermediados pelo Ministério do Planejamento, pelos quais ela é investigada, não têm relação com o escândalo da Petrobras.
Com isso, a averiguação contra a senadora ficará no STF, mas não sob relatoria do ministro Teori Zavascki, que conduz inquéritos da Lava-Jato. Outros suspeitos de participarem do mesmo estratagema sem direito ao foro especial terão inquéritos abertos na Justiça Federal em São Paulo e não na Vara de Curitiba (PR), comandada pelo juiz Sérgio Moro.
Os indícios contra Gleisi surgiram em delações premiadas na Lava-Jato. Com a decisão, a Corte abriu caminho para que crimes descobertos em decorrência da Lava-Jato sejam considerados casos independentes, sem vinculação com a investigação central.
Voz minoritária no plenário, o ministro Gilmar Mendes alertou para o risco desse tipo de sentença enfraquecer o trabalho contra a corrupção na petroleira. “É uma questão de grande relevo. Do contrário, não estaria tendo essa disputa no âmbito do STF. No fundo, vamos dizer em português bem claro: o que se espera é que o processo saia de Curitiba (PR) e não tenha sequência em outros lugares”, afirmou o magistrado.
Segundo o ministro, o esquema no Ministério do Planejamento tem relação com o da Petrobras. Ele concordou com o argumento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que os operadores são os mesmos e também a forma de agir. Para Mendes, se Moro perder a condução do processo, a investigação poderá ser prejudicada, porque o novo juiz não conhece a Lava-Jato.
Mendes disse que o STF nunca lidou com organizações criminosas e não tem, na história do País, grupos dessa espécie, fato que envergonha a nação. “Estamos falando do maior caso de corrupção do mundo”, assegurou o ministro. (AG)
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