Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de fevereiro de 2018
Pelo menos 30 pessoas já entraram em contato com a Vigilância Sanitária de Novo Hamburgo para solicitar informações sobre como proceder após terem se vacinado na clínica de vacinas Vacix, em Novo Hamburgo. O estabelecimento foi fechado na quarta-feira após denúncias de irregularidades na aplicação das doses.
De acordo com a prefeitura do município, durante o fim de semana os esclarecimentos podem ser solicitados pelo e-mail epidemio@novohamburgo.rs.gov.br. Durante a semana, também está à disposição o telefone 30979411, entre 8h e 17h.
Revogação da prisão
A juíza Angela Roberta Paps Dumerque negou na tarde de sexta-feira o pedido de revogação da prisão preventiva da proprietária da clínica Vacix, em Novo Hamburgo, presa por suposta fraude na aplicação de vacinas contra febre amarela, mas determinou a conversão da prisão para domiciliar.
Conforme a juíza substituta na 2ª Vara Criminal do Foro hamburguense, a ré enquadra-se na previsão legal que estabelece a prisão domiciliar, uma vez que possui dois filhos na faixa dos 10 anos de idade. Sobre a manutenção da prisão, ainda que atenuada, a magistrada justifica como necessária para garantir a instrução criminal.
“Diante das providências tomadas pela Vigilância Sanitária de interdição do estabelecimento comercial e apreensão de todos os medicamentos existentes naquele local e na residência da ré, não verifico, por ora, risco à ordem pública na conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar”, considerou a juíza.
A farmacêutica, investigada por suposta fraude envolvendo a aplicação de vacinas, também teve o passaporte apreendido. Fica proibida de deixar sua residência sem autorização judicial e de comunicar-se com a empresa, funcionários ou clientes da Vacix. Está também vedada a utilização de meios de comunicação. A Polícia Civil orienta que, quem foi vacinado nos últimos meses nessa clínica, deve procurar a Vigilância em Saúde da cidade e a Delegacia de Proteção ao Consumidor.
Quebra de sigilo
A pedido da autoridade policial, a juíza autorizou a quebra do sigilo do conteúdo armazenado nos aparelhos telefônicos apreendidos durante a investigação.
Conforme informações da denúncia, a mulher, inclusive, utilizaria a mesma agulha em pessoas diferentes, entre elas crianças e adolescentes. Geralmente isso era feito com as vacinas da febre amarela e também da meningite (ACWY e Meningo B).
O secretário estadual de Saúde, João Gabbardo dos Reis, acompanha a investigação. Ele confirmou que as aplicações de vacina eram simuladas. “Estamos perplexos. Isso é uma coisa inédita, difícil de acreditar que alguém possa tomar uma iniciativa como essa. A ganância parece não ter limite para algumas pessoas”, afirmou Gabbardo.
O secretário afirmou que a clínica tinha autorização para vacinar e também possui alvará de funcionamento. Porém, ele explicou que existem algumas exigências que a clínica não estava cumprindo.
“Todas as clínicas são fiscalizadas e preenchem uma série de requisitos, só que elas devem fazer uma coisa que essa clínica não devia fazer, que é encaminhar à Secretaria da Saúde a relação das pessoas que foram imunizadas no local”, disse.
“E é de praxe que a clínica mostre ao usuário o frasco fechado, abra a seringa para mostrar que é descartável. Isso faz parte da rotina, até para deixar o paciente confortável”, acrescentou.
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