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Economia Tá na Mesa debate colapso ferroviário e alerta para impacto direto na economia gaúcha

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Calegari, Rodrigo Souza, Bertinelli e Camozzato no Tá na Mesa da Federasul sobre os desafios da malha ferroviária do RS.

Foto: O Sul
Calegari, Rodrigo Souza, Bertinelli e Camozzato no Tá na Mesa da Federasul sobre os desafios da malha ferroviária do RS. (Foto: O Sul)

O encontro Tá na Mesa, promovido pela Federasul, transformou-se em um diagnóstico claro — e preocupante — sobre o futuro da logística no Rio Grande do Sul. Mediado pelo presidente da entidade, Rodrigo Souza, o debate reuniu João Edacir Calegari, presidente do SindiferGS, e João Vertinelli, diretor-presidente do Tecon Rio Grande, para discutir o que ambos definiram como um “ponto crítico” da infraestrutura ferroviária gaúcha.

A constatação é unânime: a malha ferroviária do Estado opera muito aquém do necessário para sustentar o crescimento econômico. Trechos desativados, baixa capacidade de carga, limitações de velocidade e ausência de investimentos estruturais formam um conjunto que encarece o frete, reduz a competitividade e afasta novos investimentos.

Calegari destacou que a ferrovia deixou de cumprir seu papel estratégico. A dependência quase total do modal rodoviário, segundo ele, gera um custo logístico que pode ser até um terço maior em setores como grãos, celulose e contêineres. “O RS paga mais caro para produzir e para exportar”, resumiu.

Vertinelli reforçou o impacto direto no Tecon Rio Grande. Sem uma ferrovia eficiente conectada ao porto, o terminal perde capacidade de expansão e competitividade frente a outros hubs do Cone Sul. A falta de integração modal, segundo ele, trava ganhos de produtividade e limita o potencial de crescimento do Estado.

As enchentes recentes apenas aceleraram um processo de deterioração que já vinha se acumulando há décadas. Danos estruturais, interrupções prolongadas e aumento de custos de manutenção tornaram ainda mais evidente a fragilidade do sistema. Para a Federasul, reconstruir o RS passa necessariamente por reconstruir sua logística — e isso inclui colocar a ferrovia de volta no centro da estratégia.

Nesse contexto, o debate também incorporou a dimensão regulatória. O deputado estadual Felipe Camozzato (Novo), presidente da Frente Parlamentar das Ferrovias e autor da PEC das Ferrovias, tem defendido a modernização do marco regulatório como condição para atrair capital privado e permitir a entrada de novos operadores. A proposta busca criar concorrência intramodal, estabelecer metas de desempenho auditáveis e reduzir barreiras que hoje inibem investimentos.

A presença de Camozzato nessa agenda foi citada como um elemento político essencial para destravar mudanças. A avaliação é de que, sem um ambiente regulatório mais moderno e previsível, o RS continuará preso a um modelo que não entrega eficiência nem competitividade.

Ao final do encontro, a mensagem foi clara: o colapso ferroviário não é apenas um problema de infraestrutura, mas um entrave econômico que afeta produtividade, margens industriais, capacidade exportadora e até a atração de novos investimentos. Para a Federasul, o Estado precisa assumir protagonismo na discussão com o governo federal e garantir que o novo ciclo de concessões ferroviárias incorpore metas claras, governança robusta e integração efetiva com portos e rodovias.

O Tá na Mesa deixou evidente que o RS está diante de uma escolha estratégica. Ou reestrutura sua ferrovia com visão de longo prazo, ou continuará pagando mais caro para produzir, transportar e competir — justamente no momento em que mais precisa acelerar sua recuperação econômica. (Por Gisele Flores)

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