Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de julho de 2025
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou ter procurado ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) a fim de pedir autorização para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viajasse aos Estados Unidos com o objetivo de negociar diretamente com Donald Trump a suspensão da sobretaxa imposta a produtos brasileiros. “Não houve isso”, afirmou o governador à CNN.
A informação sobre a suposta articulação partiu de interlocutores do Judiciário, mas foi rebatida pelo governador.
Ao falar sobre o assunto pela primeira vez, Tarcísio negou que tenha procurado o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar interferir no processo, qualificando a informação como “bobagem”, e disse que está atuando apenas de forma lateral para resolver na questão.
Segundo Tarcísio, não houve qualquer contato com ministros da Corte sobre o tema, tampouco pedido para interceder pela liberação do passaporte de Bolsonaro, que segue apreendido por decisão do STF no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
A declaração do governador ocorre após reportagem indicar que ele teria feito um apelo “surpreendente” a magistrados da Suprema Corte, defendendo que Bolsonaro poderia convencer Trump a recuar da taxação de 50% sobre produtos brasileiros – medida anunciada na última quarta-feira (9).
A medida foi justificada por Trump como uma resposta ao julgamento de Bolsonaro no STF, classificando o caso como uma “vergonha internacional”.
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não aceitará retaliações políticas e prometeu reagir com base na Lei de Reciprocidade Econômica. O governo brasileiro tem discutido, em reuniões com ministros e empresários, estratégias para mitigar os efeitos do tarifaço.
Tarcísio de Freitas afirmou nesse sábado em entrevista coletiva que o tarifaço imposto ao Brasil pelos EUA tem um impacto “complicado” para o estado e fez um apelo a negociadores para “deixar a política de lado” na busca de uma solução para a questão.
Tarcísio se pronunciou sobre o assunto quatro dias depois de o presidente americano, Donald Trump, ter anunciado a medida, questionado por jornalistas em Cerquilho (SP).
“A competência para fazer a negociação é do governo federal, da diplomacia brasileira. A diplomacia brasileira, ao longo dos anos, sempre se saiu muito bem. A gente, obviamente, está tentando nutrir a embaixada dos Estados Unidos de mais informações”, disse o governador. “O que a gente procura mostrar é o cenário da economia paulista e quais são os números para fortalecer tomadas de decisão. Aqui temos um problema, vamos ver se a gente consegue resolver isso no intuito de contribuir com a informação.”
Durante a entrevista, Tarcísio mencionou casos de impacto já estudados pelo governo. A Embraer, afirma terá um acréscimo de US$ 9 milhões de impostos na venda de cada uma das 90 aeronaves que a American Airlines encomendou, por exemplo. No agronegócio, o governador mencionou provável impacto nos setores sucroalcooleiro e de suco de laranja.
Tarcísio disse que, em conversa com um encarregado de assuntos de negócio da embaixada americana, teria tentado “sensibilizar” os EUA para o problema do tarifaço, que terá efeitos ruins dos dois lados.
No meio do fogo cruzado entre o setor produtivo contrário à tributação punitiva e correligionários favoráveis à medida como sanção política, Tarcísio disse que é preciso “conversar” para resolver a situação. As informações são da CNN e do jornal O Globo.
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