Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de julho de 2015
O tarifaço aplicado pelo governo federal nas contas de luz no primeiro semestre triplicou o crescimento da inadimplência. Com aumentos nas contas superiores a 50% em algumas regiões do País, a expansão dos calotes nas faturas saltou de uma variação média de 6%, no começo do ano, para 17,3%, em junho, na comparação com 2014.
A preocupação das distribuidoras é que o problema resulte no crescimento dos furtos de energia, popularmente chamados de gatos. Segundo dados do SPC Brasil, a falta de pagamento de contas de luz respondia por 6,4% das dívidas dos brasileiros em junho. Trata-se da maior participação do setor energético no total de calotes desde 2010, quando a entidade passou a reunir dados.
Na época, os atrasos representavam apenas 2,5% da inadimplência no Brasil. “Além da majoração nas tarifas, o cobertor está cada vez mais curto devido ao aperto na renda e à alta dos juros. Com isso, os consumidores estão atrasando até contas essenciais, que acarretam o corte de serviço, como é o caso da luz. Nesse cenário, é ainda mais importante que as famílias reavaliem orçamentos e economizem energia, evitando o desperdício”, avaliou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
E pior do que o crescimento dos débitos, as dívidas mais longas estão mais frequentes. O levantamento do SPC Brasil mostrou que 71,9% dos atrasos se referem a contas de luz vencidas há mais de 90 dias, prazo após o qual a eletricidade é cortada. E como se trata de item básico nas casas, sempre que um movimento é detectado, ocorre aumento nas chamadas perdas não técnicas de eletricidade, ou seja, nos gatos nas redes.
Marcela disse que esse é o pior dos mundos, pois com dívida acima de três meses, além do corte o consumidor fica com CPF negativo. “O importante é renegociar o débito”, orientou Marcela. (AE)
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