Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de agosto de 2021
O senador Tasso Jereissati (CE) desmentiu nesta terça-feira a informação dada pelo governador de São Paulo, João Doria, durante entrevista ao programa Roda Viva, sobre a sua desistência de disputar a prévia que escolherá em novembro o candidato do PSDB à Presidência da República.
“Nunca conversei com quem quer que seja, nem tampouco conversei com o governador João Doria, pessoa que respeito, sobre essa questão. Portanto, fiquei surpreso com essa declaração, e no dia em que eu tiver, se tiver de fazer algum anúncio, eu mesmo farei”, afirmou.
Na segunda-feira, Doria disse que Tasso havia desistido de disputar a prévia. O anúncio provocou mal-estar entre os tucanos. O partido já vive uma crise interna por causa dos ataques trocados entre Doria e o deputado federal Aécio Neves (MG).
No começo da noite, Doria pediu desculpas ao senador. O governador lamentou ter sido informado erroneamente, por meio de uma coluna do portal R7 sobre a desistência de Tasso, “por quem tem profundo respeito”. “Doria pede desculpas por ter feito a menção da desistência, tomando como base a notícia publicada no portal”, afirma nota divulgada por sua assessoria.
Além de Doria e Tasso, também pretendem disputar a primária tucana o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.
Apesar de manter a intenção de disputar a prévia do PSDB, o senador cearense não tem feito viagens pelo país em busca de apoios, como Leite e Doria.
Na segunda-feira, Tasso recebeu o ex-presidente Lula (PT) em seu escritório, em Fortaleza. Ao final do encontro, o petista postou em suas redes sociais que os “democratas deste país tem a responsabilidade e o desafio de resgatar a civilidade na política brasileira pelo bem do Brasil”.
Aécio Neves
João Doria disparou uma série de ataques a Aécio Neves (MG), seu colega de partido, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira. O paulista, que disputará a prévia que escolherá em novembro o candidato da sigla à Presidência da República, chamou o mineiro de “covarde” e “pária dentro do PSDB” ao comentar a votação da PEC do voto impresso na Câmara.
Doria ainda defendeu que Aécio peça afastamento da legenda por causa das denúncias de corrupção que enfrenta.
“Aécio Neves tem a síndrome da derrota. E começou a sua pior derrota naquele triste telefonema para um empresário aqui de São Paulo pedindo propina. Eu entendo que pessoas que pedem propina a empresário do meu partido deveriam se afastar”, afirmou o governador paulista.
Em 2017, o empresário Joesley Batista, da JBS, entregou à Procuradoria-Geral da República a gravação de um diálogo em que Aécio lhe pedia R$ 2 milhões.
Doria já defendeu o afastamento de Aécio do PSDB, mas a executiva do partido rejeitou a proposta.
“Antes que o partido pedisse a sua expulsão, ele deveria ter a dignidade de se afastar do PSDB. Faça a sua defesa. Se for inocentado, volta.”
Na visão do governador paulista, a atitude de Aécio pode ser comparada com a sua abstenção na votação da PEC do voto impresso neste mês. “Ele não teve essa grandeza (de se afastar) e não teve a grandeza agora porque trabalhou a sua bancada, se é que podemos chamar assim, para votar a favor de Bolsonaro contra a democracia. E na hora do vamos ver, se absteve. Foi um covarde mais uma vez.” As informações são do jornal O Globo.
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