A taxa de desemprego do Brasil voltou a cair e chegou a 5,4% no trimestre encerrado em junho deste ano, após registrar 5,6% em maio. O número, divulgado nessa quinta-feira (30) pelo IBGE, veio em linha com o esperado por analistas de mercado e é o menor já registrado para um mês de junho.
No trimestre móvel anterior, encerrado em março, a taxa havia sido de 6,1%. Com isso, a população desocupada chegou a 5,9 milhões, em uma queda de 10,9% frente a esses três meses anteriores. Já em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando os desempregados eram 6,3 milhões, houve queda de 6,3%, o equivalente a uma redução de 392 mil pessoas desocupadas na força de trabalho.
Por outro lado, a população ocupada bateu recorde no contingente, chegando a 103,1 milhões de pessoas — o maior número de toda a série histórica. O aumento foi de 1,08 milhão (+1,1%) em relação ao trimestre encerrado em março, enquanto ante o período de abril a junho de 2025, o crescimento foi 0,7%, com mais 742 mil pessoas trabalhando.
Para o IBGE, desalento é a situação de quem gostaria de trabalhar e estava disponível, mas deixou de procurar emprego e, portanto, está fora da força de trabalho, por achar que não conseguiria uma vaga — seja por não ter experiência ou qualificação, ser considerado muito jovem ou idoso, ou não haver trabalho em sua região. Essas pessoas, no entanto, são consideradas dentro da força de trabalho potencial, e parecem estar retornando.
A população desalentada representa um total de 2,3 milhões e teve redução de 14,7% em relação ao trimestre anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando havia no Brasil 2,8 milhões de pessoas desalentadas, este indicador apresentou também uma variação negativa de dois dígitos (-17,0%).
Esse retorno de trabalhadores para o mercado de trabalho foi impulsionado principalmente pelas atividades de administração pública e de transporte, armazenagem e correios. O primeiro veio em movimento sazonal, já que no início de abril costumam ser contratados, na educação pública, trabalhadores sem carteira assinada voltados para o ensino básico, como professores, cuidadores de crianças e auxiliares.
Nos transportes, destacou-se um aumento de condutores de automóveis e motocicletas, voltados para entregas e para o transporte terrestres de passageiros. Essas atividades podem inclusive estar sendo resposáveis por trazer de volta aqueles que nem estavam procurando emprego.
Renda
A questão é que essas ocupações tendem a ser muitas vezes informais e com menores remunerações, o que vem impedindo maiores elevações na renda, que recua pelo terceiro mês seguido, chegando a R$ 3.738. Ainda assim, o número foi o maior que em junho de 2025, quando o rendimento real chegava a R$ 3.635.
O número de pessoas com carteira assinada, que alcançou os 39,4 milhões, chegou a bater recorde, sendo o maior contingente da série, embora a alta tenha sido considerada estabilidade estatística e o avanço daqueles sem carteira tenha sido ainda maior, com alta de 2,2% no trimestre e mais 288 mil pessoas.
Para o economista Rodolpho Tobler, os recordes da população ocupada e da carteira assinada têm mais relação com o crescimento natural da população com idade para trabalhar do que com resultados de fato expressivos nessas categorias.
Segundo ele, descontados os efeitos sazonais, a taxa de desemprego permanece entre 5,4% e 5,5% há cerca de seis meses, sem seguir batendo sucessivos recordes, como visto no ano passado. Ainda assim, a estabilidade em um patamar historicamente baixo mostra que o mercado de trabalho continua aquecido, sustentado pelo avanço da atividade no primeiro semestre, com um PIB até maior que o esperado. No entanto, a economia não deve se manter nesse nível por muito tempo.
Alguns sinais desse arrefecimento já podem ser observados inclusive nos resultados de hoje, na visão de Tobler, como o aumento da informalidade e a consequente queda da renda. Segundo o economista, isso não significa uma piora acentuada, mas aponta uma tendência de perda de fôlego, após o mercado de trabalho começar a se estabilizar, ainda em um patamar bastante positivo, no primeiro semestre.
Juros
Na avaliação dos economistas, os sinais de desaceleração do mercado de trabalho e da atividade econômica ajudam a abrir espaço para novos cortes de juros. Com menor pressão sobre a renda, a inflação também tende a perder força, o que deixaria de ser um obstáculo para a continuidade do ciclo de redução da Selic.
Os economistas avaliam que o mercado de trabalho deve perder fôlego no segundo semestre, acompanhando a desaceleração da economia. Descontados os efeitos sazonais, a taxa de desemprego pode subir do patamar atual, próximo de 5,5%, para perto de 6%.
Apesar da piora, Tobler ressalta que o desemprego continuaria em nível historicamente baixo. A desaceleração deve ocorrer de forma gradual, já que, embora os juros elevados pesem sobre a atividade, medidas de estímulo do governo ajudam a sustentar a economia. (Com informações do jornal O Globo)
