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Ciência Telescópio James Webb identifica casulos que envolvem buracos negros em formação

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Segundo os pesquisadores, a descoberta indica que o James Webb está captando buracos negros ainda em fase de crescimento acelerado.

Foto: Divulgação
Segundo os pesquisadores, a descoberta indica que o James Webb está captando buracos negros ainda em fase de crescimento acelerado. (Foto: Divulgação)

Análises de dados do Telescópio Espacial James Webb trouxeram novas evidências sobre a origem dos chamados “pontos vermelhos” observados no universo primitivo. Segundo estudo publicado na revista Nature na última quarta-feira (14), esses sinais correspondem a buracos negros supermassivos em formação, envolvidos por densas nuvens de gás, estruturas que os cientistas passaram a chamar de “casulos”.

A pesquisa foi conduzida por equipes da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e da Universidade de Manchester, no Reino Unido. O trabalho revisa interpretações anteriores sobre esses objetos, que desde 2022 dividiam a comunidade científica.

Segundo os pesquisadores, a descoberta indica que o James Webb está captando buracos negros ainda em fase de crescimento acelerado. “Podemos estar observando o principal período de crescimento dos buracos negros supermassivos, quando ainda estão cercados por uma concha quase esférica de gás denso”, afirmam.

Os cientistas analisaram doze objetos localizados entre 3,4 e 6,7 bilhões de anos-luz de distância e descobriram que suas linhas luminosas são alargadas pela dispersão de elétrons, um efeito que indica a presença de gás extremamente denso. “Os dados exigem densidades muito altas e tamanhos de apenas alguns dias-luz, que, quando combinados à alta luminosidade, só podem ser explicados pela acreção de buracos negros supermassivos”, afirma o artigo.

Esses buracos negros teriam massas de 100 mil a 10 milhões de vezes a do Sol, cerca de cem vezes menores do que se imaginava. “São os buracos negros de menor massa conhecidos em alto redshift e sugerem uma população jovem de buracos negros supermassivos”, escreveram os autores.

O estudo mostra que esses objetos estão cercados por “um denso casulo de gás ionizado” que bloqueia emissões de raios X e rádio, explicando por que eram difíceis de detectar. Essa camada também reprocessa a radiação emitida pelos buracos negros, a transformando em luz visível e infravermelha.

A equipe ainda recalculou as massas desses corpos após remover o efeito de dispersão de elétrons, tornando-as compatíveis com o padrão observado em buracos negros e galáxias mais recentes.

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