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Brasil Temer prepara a “invasão” de ministros-deputados na Câmara para votar contra a denúncia da qual é alvo

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Trocas têm objetivo de reforçar coesão da base e pressionar partidos aliados. (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

O Palácio do Planalto definiu a estratégia para barrar a denúncia contra o presidente Michel Temer que deve ser votada pelo plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira: todos os ministros que são parlamentares reassumirão seus mandatos para votar. As mudanças envolvem 12 integrantes do primeiro escalão.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), confirmou que os ministros do partido participarão na votação. Temer quer que todos os parlamentares da base registrem presença para que o quorum de 342 deputados, necessário para o início da votação, seja atingido. O governo quer liquidar o assunto nesta quarta-feira, rejeitando a denúncia.

A estratégia de recolocar os ministros na Câmara tem dupla função: garantir votos a favor de Temer – contra a denúncia por corrupção passiva apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) – e mostrar coesão dos partidos que detêm ministérios em torno do presidente.

Partidos da base

No caso da bancada do PMDB do Rio de Janeiro, a volta de Leonardo Picciani, ministro do Esporte, tem peso, já que o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) é o autor do parecer a favor da denúncia, que foi derrotado já na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no último dia 13 de julho. A CCJ aprovou, no lugar, o parecer contra a denúncia de autoria de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). E é este que será votado pelo plenário. Além de Picciani, no PMDB voltam Osmar Terra (Desenvolvimento Social) e Marx Beltrão (Turismo).

Já no PSDB, que tem rachada a sua bancada de 46 deputados, a volta de Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Bruno Araújo (Cidades) será importante para dar apoio aos tucanos que votam com Temer. Dos 46, o governo conta com pelo menos 20 votos, segundo as estimativas.

O ministro Mendonça Filho (Educação) deve retomar vaga no DEM, mas disse na manhã desta terça-feira que ainda teria reunião à tarde. O ministro Ricardo Barros (Saúde) disse na última sexta-feira que fará o que o presidente determinar.

Críticas

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), chamou de “absurdo” a decisão do PMDB de fechar questão pela rejeição da denúncia no plenário. Ele disse que o voto num caso como esse é de foro íntimo e não deveria ser censurado pelo partido. A exemplo do que fez quando a denúncia foi votada na comissão, Pacheco irá se abster.

“Sou contra o fechamento de questão. O instituto do fechamento de questão deveria ser usado apenas nos temas que afrontam os princípios do partido, como na votação de uma reforma estruturante, por exemplo. Fechamento de questão na votação de uma denúncia contra um presidente é inusitado, um absurdo. É uma questão íntima. Irei me abster, se quiserem me punir por conta disso…”,  argumentou o deputado.

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