Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de janeiro de 2018
O presidente Michel Temer tem até o dia 19 de janeiro para responder às 50 perguntas feitas pela PF (Polícia Federal) sobre supostas irregularidades na edição de um decreto que beneficiou empresas do setor de portos. A PF abriu inquérito para investigar suspeitas de que o decreto presidencial foi feito sob medida para atender os interesses do setor portuário. As perguntas foram enviadas em 3 de janeiro para Temer.
A medida foi assinada pelo presidente no dia 10 de maio e aumentou o prazo dos contratos de concessão de áreas portuárias de 25 anos para 35 anos, podendo ser prorrogado até 70 anos, beneficiando as atuais empresas concessionárias. As perguntas indicam a suspeita de recebimento de propina por Temer e aliados, como o ex-deputado Rodrigo da Rocha Loures, filmado pela polícia carregando uma mala de R$ 500 mil entregue pela JBS.
Rocha Loures aparece em interceptações telefônicas defendendo interesses de empresas que atuam nos portos. Temer pode enviar as respostas por escrito e não tem obrigação de responder a tudo. A PF questiona o chefe do Executivo sobre o seu conhecimento em relação a caixa dois em suas campanhas e se ele ou aliados, como Loures, o ex-assessor especial José Yunes e o coronel João Baptista Lima Filho, receberam alguma recompensa financeira das empresas beneficiadas pelo decreto dos portos.
José Yunes
O advogado e ex-assessor da Presidência da República José Yunes relatou em depoimento à PF, no dia 30 de novembro, que realizou apenas uma operação de venda de imóvel para o presidente Michel Temer. Yunes é investigado por suspeita de corrupção na Operação Lava-Jato.
Ele respondeu a 30 questões sobre a sua relação com presidente, de quem é amigo há 50 anos e de quem foi assessor no Palácio do Planalto, no inquérito que investiga suposta propina a Temer no porto de Santos (SP). Yunes pediu demissão do cargo em dezembro de 2016, após ser delatado pela Odebrecht.
Na pergunta de número 24, Yunes é questionado pelo delegado Ricardo Ishida sobre quais negócios realizou com Temer e se já havia vendido algum imóvel ou repassado algum valor ao presidente. Yunes respondeu “que nunca vendeu nenhum imóvel para ele como pessoa física; que há cerca de 20 anos, quando o declarante tinha uma incorporadora, Temer comprou um andar em um prédio comercial da incorporadora do declarante à época; que o andar adquirido é o da Rua Pedroso Alvarenga, 900, 10º andar, sendo tudo contabilizado e informado nas declarações de Imposto de Renda do declarante e de Temer; que não se recorda de nenhum outro negócio envolvendo o presidente Temer; que nunca fez repasses de valores para presidente Temer ou para qualquer emissário dele ou do partido PMDB”.
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