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Economia Bovespa cai com risco de calote na China e tem pior marca do ano; dólar tem forte alta

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Crise da Evergrande, gigante do setor imobiliário na China, derreteu o mercado mundial, com perdas de até 2,4% em Nova York; dólar subiu quase 1%.

Foto: Reprodução
Crise na chinesa Evergrande foi teste de fogo para recém-chegados no mercado acionário. (Foto: Reprodução)

O medo de um calote da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande e potenciais efeitos na economia da China mexeu com índices de todo o mundo nesta segunda-feira (20), incluindo Nova York. Seguindo o mesmo movimento, a Bolsa brasileira (B3) teve tombo de 2,33%, aos 108.843,74, pontos, o pior patamar do ano. No câmbio, o dólar foi pressionado e teve alta de 0,93%, cotado a R$ 5,3312.

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou aos 107.520,14 pontos. Já na abertura do mercado, o índice perdeu os 109 mil pontos – nível visto pela última vez no início de março. Na máxima do dia, o dólar à vista era cotado a R$ 5,3772, alta de 1,8%.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 1,78%, S&P 500, de 1,70% e Nasdaq, de 2,40%. Na Europa,  Londres fechou em queda de 0,79%, Frankfurt perdeu 2,31% e Paris, 1,74%. A Bolsa de Hong Kong fechou em baixa de 3,3% sob efeito da Evergrande, enquanto os mercados acionários da China, do Japão, da Coreia do Sul e de Taiwan não operaram em função de feriados.

O banco suíço Swissquote alerta para o risco de contágio para outras empresas do setor imobiliário no caso de um calote da Evergrande, que tem dívidas de mais de US$ 300 bilhões e viu suas ações caírem para o menor nível em 11 anos. Segundo a instituição, a companhia “deve entrar em default (calote) nesta semana e analistas têm advertido” para o potencial disso “sacudir os mercados financeiros”.

A Capital Economics diz, em relatório enviado a clientes, que as repercussões do “caso Evergrande” para o resto do mundo estão crescendo, mas avalia que a turbulência ainda não chegou à escala de “sustos” anteriores na China, como a guerra comercial com os Estados Unidos em 2018 e 2019 ou a desaceleração da economia do país asiático em 2015 e 2016.

“O mercado está cauteloso, se preparando para o pior. Se não acontecer nada, melhor”, avalia o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria. Segundo ele, a reação dos mercados é porque os investidores sentem que podem ter algum contágio tanto por meio do setor financeiro quanto por parte da dívida com estrangeiros, num momento em que a China dá sinais de desaceleração, com queda de commodities, o que afeta países como o Brasil.

A Evergrande já avisou credores que não conseguirá cumprir os pagamentos de juros da dívida com vencimento nesta segunda. “O mercado de crédito da China é muito ligado ao imobiliário, e a situação da maior construtora local poderia causar um temor ainda maior, contaminando outros setores como o financeiro”, escreve em nota Julia Aquino, especialista em investimentos da Rico Investimentos. Além disso, a China, a maior importadora de minério do mundo, segue impondo restrições à produção de aço no País, acrescenta.

Apesar dos temores, a agência classificadora de risco S&P Global Ratings afirma que um eventual calote da Evergrande não gerará uma onda de falências nem terá repercussões leves, mas gerará uma situação intermediária.

Além da cautela com as questões relacionadas à China, o mercado também espera pela reunião de política monetária dos Estados Unidos, na próxima quarta-feira (22). Em meio a dados com resultados mistos no país, a grande dúvida de investidores é quanto a uma indicação sobre a retirada dos estímulos à economia, o chamado tapering.

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