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Política “Temos que aceitar”, diz Lula sobre eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial

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O presidente afirmou não temer que o Brasil seja dominado pelo autoritarismo. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição, afirmou que aceitará o resultado das urnas no caso de uma eventual vitória daquele que deve ser seu principal oponente em outubro, Flávio Bolsonaro (PL). Nesta última semana, após divulgações de Datafolha e Genial/Quaest, o senador apareceu pela primeira vez à frente do petista no cenário simulado de segundo turno, de acordo com o agregador de pesquisas Rali – iniciativa do jornal O Globo em parceria com o Instituto Locomotiva.

À revista alemã Der Spiegel, Lula foi questionado sobre a dianteira do filho do ex-presidente em levantamentos de um eventual segundo turno e disse respeitar a escolha do povo, seja qual for.

“Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado. Eu nunca teria imaginado que um metalúrgico, que já foi líder sindical como eu, fosse eleito três vezes para a Presidência. Mas aqui estou eu!”, destacou.

Na entrevista, o presidente afirmou não temer que o Brasil seja dominado pelo autoritarismo. “O Brasil continuará sendo um país democrático no futuro. Além disso: vamos vencer esta eleição e garantir que nossa democracia se torne ainda mais estável. Aqui não há espaço para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia. Essa ideologia de direita que governa o mundo não tem futuro. Em vez de ideias, ela apenas espalha ódio e mentiras”, disse.

Lula evitou confirmar sua candidatura à reeleição: disse que “depende”. No entanto, ressaltou estar se preparando para isso. Aos 80 anos, o presidente reativou a estratégia de mostrar vitalidade após especulações de que poderia desistir de concorrer.

“Haverá uma convenção partidária na qual meu partido discutirá os principais nomes. Estou me preparando para isso. Minha cabeça e meu corpo estão 100% em forma. Quero chegar aos 120 anos!”, ressaltou à Der Spiegel.

O petista criticou países que usam o poder econômico, militar e tecnológico “para ditar as relações internacionais” e reforçou sua confiança no papel da Organização das Nações Unidas (ONU) para preservar a paz no mundo. Ele voltou a cobrar que a África e o Oriente Médio tenham assento no Conselho de Segurança e questionou por que outros países, como Brasil e Alemanha, não poderiam compor o órgão também. Na sequência, ouviu do entrevistador que Washington, controlada pelo presidente americano Donald Trump, demonstra pouco interesse numa mudança desse tipo.

“Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando os outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar esse mundo em ordem; ele está prestes a se transformar em um único campo de batalha. No ano passado, foram gastos 2,7 trilhões de dólares em armas e nas forças armadas. Esse dinheiro poderia ser melhor empregado no combate à fome ou ao analfabetismo na África ou na América Latina”, respondeu Lula.

O presidente brasileiro disse ter conversado com seus “amigos” Xi Jinping, da China; Vladimir Putin, da Rússia; e Emmanuel Macron, da França, para que convocassem uma reunião do Conselho de Segurança. A esperança, disse, era que Trump se reunisse com os homólogos para discutir.

“Ninguém aceitou a proposta. É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”, disse Lula, antes de tecer críticas aos efeitos inflacionários de guerras pelo mundo, como no Oriente Médio e na Ucrânia, invadida pela Rússia. “Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e quem acabe pagando a conta dessa guerra sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras. O secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária para que Trump, Putin e os outros prestem contas.”

Lula criticou intervenções e ameaças do governo americano a países da América Latina, como Venezuela e Cuba, e minimizou a declaração de Trump de que os dois tiveram “química” ao se encontrarem. “Sou o representante máximo da minha nação, não confundo isso com minhas convicções ideológicas. O mesmo vale para Trump: ele é um chefe de Estado, o povo americano o elegeu. Respeito isso – assim como espero que ele respeite a escolha do povo brasileiro. Portanto, vamos negociar com base nos interesses de nossas nações.” As informações são do jornal O Globo.

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