Quinta-feira, 30 de julho de 2026
Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves | 30 de julho de 2026
Com a aproximação das convenções partidárias e a definição dos nomes que disputarão as próximas eleições, chega também o momento de o eleitor analisar cuidadosamente a trajetória, as propostas e os compromissos de cada candidato. O voto não pode ser tratado como uma decisão impulsiva, motivada apenas por discursos emocionais, promessas grandiosas ou disputas ideológicas.
É necessário priorizar candidatos cuja vida pública, experiência profissional e projetos estejam próximos das necessidades reais da população. O Brasil precisa avançar economicamente, melhorar a qualidade dos serviços públicos, combater a criminalidade, gerar empregos e oferecer melhores condições de vida. Para isso, é fundamental escolher representantes preparados e comprometidos com resultados concretos.
O eleitor deve ter cautela para não desperdiçar seu voto em candidatos que vivem exclusivamente da polarização política ou de conflitos que pouco contribuem para a solução dos problemas nacionais. A eleição é o momento em que a população pode influenciar diretamente a escolha dos governantes e parlamentares responsáveis pela condução do País. Quem vota apenas em discursos bonitos ou em promessas impossíveis corre o risco de se decepcionar e terá de aguardar uma nova eleição para tentar corrigir sua escolha.
Em outubro, os brasileiros serão convocados a escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. A Constituição e as leis estabelecem funções específicas para cada um desses cargos. Por isso, o eleitor precisa conhecer não somente o candidato, mas também as responsabilidades da função que ele pretende ocupar.
Embora seja legítimo que candidatos se identifiquem como representantes da esquerda, da direita ou do centro, a posição ideológica não deve ser o único critério de escolha. Mais importante é verificar se existem propostas realizáveis, histórico de trabalho, capacidade administrativa e compromisso verdadeiro com a população. Não basta defender uma corrente política: é preciso apresentar soluções e demonstrar condições para colocá-las em prática.
A hora do voto responsável é agora. Diante dos graves problemas internos enfrentados pelo Brasil e das tensões econômicas e diplomáticas entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, aumenta ainda mais a responsabilidade do eleitor. Devemos optar pelo voto consciente, escolhendo candidatos que representem nossos interesses profissionais e as necessidades da cidade, do Estado e do bairro em que vivemos. Graças à democracia, a escolha é nossa, assim como as consequências produzidas por ela.
Nas últimas décadas, o Brasil acumulou frustrações com representantes que, depois de eleitos, priorizaram interesses partidários, projetos pessoais e disputas políticas, deixando as necessidades da população em segundo plano. A possibilidade de reeleição para cargos do Poder Executivo, instituída durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, também merece reflexão. Em muitos casos, governantes passaram parte considerável do mandato preocupados com a própria recondução, utilizando a visibilidade e a estrutura do cargo para permanecer no poder.
A permanência prolongada das mesmas lideranças pode dificultar a renovação política. Independentemente de nomes ou partidos, a democracia precisa estimular o surgimento de novos representantes e impedir que cargos públicos sejam tratados como patrimônio pessoal. Presidente, governador, prefeito, senador ou deputado são servidores temporários da sociedade e devem prestar contas de suas decisões.
O desgaste também alcança o Poder Legislativo. Senadores e deputados são frequentemente questionados por práticas políticas pouco transparentes, privilégios e envolvimento em irregularidades. A eleição deve servir para afastar da vida pública aqueles que utilizam o mandato em benefício próprio e para valorizar candidatos que demonstrem responsabilidade, honestidade e capacidade de trabalho.
A polarização política tem prejudicado a discussão dos temas que realmente importam. A economia, a segurança pública, a saúde, a educação, a geração de empregos e a modernização do Estado exigem reformas sérias, planejamento e diálogo. Entretanto, muitas dessas mudanças permanecem paralisadas porque parte do meio político prefere alimentar conflitos ideológicos em vez de construir soluções.
Também preocupa o conflito econômico e diplomático entre Brasil e Estados Unidos. As tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros podem prejudicar empresas, trabalhadores e setores produtivos dos dois países. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro precisa atuar diplomaticamente, com equilíbrio e firmeza, para proteger os interesses nacionais e buscar uma solução negociada.
Da mesma forma, qualquer cooperação internacional relacionada ao enfrentamento do crime organizado deve respeitar a soberania brasileira e ocorrer por meio de acordos transparentes entre as autoridades dos dois países. Brasil e Estados Unidos mantêm relações históricas que não devem ser destruídas por divergências pessoais ou ideológicas entre governantes, que ocupam temporariamente seus cargos.
A convivência entre as duas nações precisa permanecer pacífica, respeitosa e produtiva. Cabe aos governantes dialogar e defender seus países, sem transformar divergências políticas em conflitos permanentes que prejudiquem a população.
Por isso, o eleitor deve iniciar desde já a análise dos candidatos. É preciso comparar propostas, conhecer antecedentes, avaliar a atuação pública e observar quem realmente possui compromisso com a comunidade. O voto consciente não resolve todos os problemas imediatamente, mas continua sendo o instrumento mais importante para renovar a política, cobrar resultados e construir um futuro melhor para o Brasil.
* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)
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Tá difícil, cadê as pessoas confiáveis???