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Tempo e dinheiro jogados fora

De 4 mil e 300 faculdades, que passaram pelo crivo do Ministério da Educação, 27 por cento tiveram notas insatisfatórias. Aparentemente, cometem fraude. No fundo, é crime.

Como em qualquer outro País, muitos brasileiros sonham em cursar o nível superior. A maioria só consegue lugar em instituições privadas, que cobram mensalidades caras. Os alunos se submetem ao sacrifício do pagamento e, ao final, ficam aquém dos requisitos para disputar vagas no mercado de trabalho. Um exemplo é o alto índice de reprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Outra constatação do Ministério é que, de 154 cursos de Medicina avaliados, 27 tiveram conceitos abaixo do mínimo exigido.

O Ministério não pode só constatar, como vem fazendo há tempo. Deve forçar a melhoria do ensino ou fechar logo as faculdades. Ficar como está é um atentado à formação correta de profissionais.

 COMPARAÇÃO

Para quem gosta de elogiar o Estado que fica acima do rio Mampituba: Santa Catarina investe 8 por cento de sua receita própria em obras de infra-estrutura. O Rio Grande do Sul fica em zero.

CONTAGEM REGRESSIVA

Faltam 15 dias para Rodrigo Janot deixar o cargo de procurador-geral da República. Até lá, as estruturas de Brasília vão balançar.

 NEM TUDO QUE RELUZ É OURO

Demorou, mas o ingrediente mentira entrou em cena: o Ministério Público Federal pediu que o ex-senador Delcídio do Amaral perca os benefícios assegurados no acordo de delação premiada. Inventou uma história para se livrar de acusações e foi flagrado.

ALÉM DO MANUAL

Em 1978, Aldemir Bendini entrou como menor aprendiz na maior instituição bancária do País. Após longa carreira, em que assimilou muito além do que estava nos manuais, chegou à presidência. O capítulo do PF (por fora) foi o que lhe provocou mais interesse.

 INTERMEDIAÇÃO DESNECESSÁRIA

O semi-presidencialismo tem sido preconizado em Brasília para superar a crise política. Trata-se de um engodo.  A fórmula prevê a escolha pela população de um presidente, cuja principal função será escolher o primeiro-ministro, dono de todos os poderes. Por que os eleitores não continuarão a escolher, diretamente, quem irá governar de fato? Qual a razão de existir um intermediário?
HOMENAGEM

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou o projeto que dá à ponte da BR-448 sobre o Rio Gravataí o nome de Lupicínio Rodrigues. A relatora foi a senadora Ana Amélia.

RETRATO CRUEL

Um dos problemas esquecidos pelos governos: 8,3 por cento da população brasileira com mais de 15 anos é incapaz de ler e escrever.

TOMA LÁ, DÁ CÁ

“Teremos uma bancada bem tratada. Se dermos escolas, infra-estrutura, microônibus nós receberemos votos. É dando que se recebe.” Declaração do vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Basílio Villani, a 3 de setembro de 1992, quando o processo do impeachment do presidente Collor se encaminhava para a fase final.
Passados 25 anos, a moeda de troca continua a mesma. Às vezes funciona, outras não.

TRADUÇÃO ERRADA

O escritor Graciliano Ramos foi preso em março de 1936, acusado de ligação com o Partido Comunista. Seguiu-se sua deportação no porão de navio, que partiu de Maceió para o Rio de Janeiro, onde permaneceu encarcerado. A acusação era ter participado da Intentona Comunista em 1935. Em 1953, publicou o livro Memórias do Cárcere.
Quando lhe perguntavam o motivo do fracasso da revolução, atribuía a um erro de tradução da mensagem de Lênin, que conclamava: “Operários de todo o mundo unidos”. Na versão do russo para o português, virou “operários de todo o mundo, uni-vos.” Conclusão: “O uni-vos não foi entendido.”

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