Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de outubro de 2026
Alterações genéticas identificadas no tumor podem orientar tratamentos personalizados, em que a terapia é indicada considerando o estágio da doença e as características celulares da doença. O tratamento do câncer de pulmão está entre as terapias que mais evoluíram na oncologia, diz o médico Lucianno Santos, da Oncologia D’Or.
As opções terapêuticas mais tradicionais são cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Nas últimas décadas, foram incorporados tratamentos para determinados perfis, como a imunoterapia, a terapia-alvo molecular e os anticorpos conjugados a fármacos.
No caso de Maria Angelina, como o câncer foi descoberto em estágio inicial, o tratamento foi apenas cirúrgico. Foi feita a retirada do lobo inferior do pulmão esquerdo por meio de uma cirurgia robótica.
“Na cirurgia robótica quem opera é o cirurgião. O robô oferece melhor visão e instrumentos mais precisos, permitindo uma cirurgia mais precisa de forma minimamente invasiva”, explica a cirurgiã torácica Letícia Lauricella, do Hospital Samaritano e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
O procedimento causa menos sangramento, diminui as chances de complicação e a dor no pós-cirúrgico. “Foi muito mais tranquilo do que eu imaginava. Fiquei dois dias e meio no hospital. Na semana seguinte, já estava fazendo fisioterapia. Um mês depois, estava na academia. Comecei devagar, com pequenos movimentos; hoje, eu corro”, diz.
Ela sempre se exercitou, mas, após o susto, virou prioridade. “Faço exercício todos os dias: musculação e trote (corrida leve), caminhada de 5 a 6 km, hidroginástica e RPG (Reeducação Postural Global, técnica de exercícios para correção postural)”, diz. “Não subestime uma gripe nem um cansaço. Não tenha medo de procurar o médico. Se tiver algo, vamos enfrentar. Eu tenho 72 anos e estou aqui, ‘firmona’.”
Terapia-alvo
Para casos mais avançados, com linfonodos comprometidos ou metástases, dois tratamentos mudaram radicalmente a sobrevida dos pacientes: a terapia-alvo, que usa um teste molecular para identificar mutações tratáveis com drogas específicas, e a imunoterapia, indicada quando não há essas mutações, com medicamentos que estimulam o sistema imunológico a combater o tumor. “Hoje, vemos pacientes diagnosticados já em um estágio com metástase vivendo mais de cinco, seis anos. Isso era impensável dez anos atrás”, afirma Letícia.
Apesar dos avanços, a abordagem do câncer em estágio avançado ainda é muito onerosa, alerta Santos. Por isso, é preciso concentrar esforços para evitar o tabagismo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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