Sábado, 28 de março de 2026
Por Redação O Sul | 14 de janeiro de 2020
Após 58 dias de greve dos professores estaduais do Rio Grande do Sul, uma assembleia-geral do Cpers-Sindicato decidiu nessa terça-feira suspender o movimento, mesmo sem acordo com o governo gaúcho. “Voltamos à sala de aula [nesta quarta-feira] para preservar o salário da categoria e pelo compromisso com estudantes e comunidade escolar”, declarou a presidente da entidade, Helenir Schürer.
Ela não poupou críticas ao chefe do Executivo. “Ao contrário de Eduardo Leite, nós temos responsabilidade com nossos alunos”, comparou, após o resultado do encontro realizado à tarde no pátio do Colégio Estadual Cândido José de Godói, em Porto Alegre. “Saímos de cabeça erguida, para retribuir à sociedade todo o apoio e carinho prestado à nossa luta.”
A escolha entre suspender ou prosseguir com a paralisação foi feita pela categoria em uma urna. Resultado: 725 votos a 593 pelo fim da greve. O Cpers seguirá, no entanto, exigindo o pagamento dos dias parados (sem o corte do ponto determinado pelo Palácio Piratini) e a montagem de um calendário de mobilização contra o pacote de reformas das carreiras e da Previdência estadual, encaminhado pelo governo gaúcho ao Legislativo e que pode ser votado ainda neste mês.
Rejeição
Antes da votação, os participantes da assembleia-geral rejeitaram a proposta de acordo apresentada por Eduardo Leite, prevendo o fim da greve, recuperação das aulas e pagamento imediato dos dias parados, mas com posterior desconto dos valores ao longo de seis meses. Para a cúpula do Cpers, porém, trata-se de uma hipótese inaceitável.
“Vamos recuperar as aulas e encerrar o ano letivo, mas queremos o que é nosso por direito, ou seja, o salário pelos serviços prestados sem qualquer desconto, pois não somos escravos para trabalhar de graça”, protestou a presidente da entidade, Helenir Schürer. “Foi a maior greve dos últimos 30 anos. Abalamos as estruturas do Estado e forçamos o governo a recuar diversas vezes. Agora é hora de reaglutinar forças e se preparar a continuidade da luta.”
Continua…
Ainda de acordo com o sindicato do magistério, se o governo gaúcho conseguir mobilizar os deputados estaduais por meio de sessão extraordinária no dia 27 deste mês para votar o programa “Reforma RS”, a categoria voltará a acampar na Praça da Matriz e a cruzar os braços nos dias de sessão no Parlamento.
“Os educadores também devem aproveitar o retorno à sala de aula para debater com os colegas, direções, estudantes e pais, retomar a pressão sobre políticos locais e mobilizar a resistência contra o pacote”, frisou a presidente do Cpers.
Balanço
Deflagrado no dia 18 de novembro com exigências como salários em dia e a retirada dos projetos do pacote de Eduardo Leite, o movimento foi considerado pelo Sindicato como a maior greve de professores das últimas décadas: “Mais de 80% da categoria aderiu e cerca de 1,5 mil escolas fecharam as portas total ou parcialmente, diversas delas pela primeira vez”.
A entidade também garante ter contado com um amplo apoio social e institucional em todo o Estado, incluindo manifestações públicas com a presença de pais e estudantes, além do suporte de entidades como a Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul) e um total de 299 moções de apoio aprovadas por Câmaras de Vereadores.
Seduc
Depois da posição tomada pelo magistério, a Seduc (Secretaria Estadual da Educação) emitiu às suas Coordenadorias Regionais uma nova sugestão de reposição das aulas nas escolas estaduais que aderiram à greve. A recuperação começa nesta quarta-feira e prossegue até 27 de fevereiro.
“A medida busca garantir aos estudantes o direito de, no mínimo, 200 dias letivos e assegurar a carga horária de 800 horas para o Ensino Fundamental e 1.000 horas para o Ensino Médio”, declarou a pasta, que trabalha com números diferentes dos aprensentados pelo Cpers: “Ao todo, foram 37 dias de paralisação, entre 14 de novembro de 2019 e 14 de janeiro de 2020”.
A mensagem, postada no site www.estado.rs.gov.br, finaliza: “Após os 30 dias de férias, as escolas que ainda permaneciam em greve e realizaram a recuperação devem começar o ano letivo de 2020. Grande parte das escolas já iniciaram a reposição do ano letivo ainda no primeiro calendário que sugerimos, que se iniciou em 21 de dezembro. Nossas orientações são para escolas remanescentes, já que grande parte já concluiu o calendário escolar de 2019”.
(Marcello Campos)
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