Domingo, 01 de março de 2026
Por Redação O Sul | 1 de março de 2026
Os títulos públicos encerram mais uma semana pagando mais ao investidor, na sexta-feira (27), na comparação com a sessão de ontem. O mercado financeiro como um todo abriu o dia em polvorosa, com os juros futuros disparando logo na largada. O grande vilão do dia foi o IPCA-15 de fevereiro, que entregou uma “surpresa indigesta” de 0,84%.
Por volta das 16h, as taxas estavam assim:
Entre os prefixados, o Tesouro Prefixado 2032 está em 13,30%, acima dos 13,23%
Entre os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 oferece IPCA +7,41%
Essa resiliência da inflação, mesmo diante de uma Selic em 15%, acaba forçando os investidores a uma recalibragem imediata de expectativas. Aquele otimismo de um alívio monetário mais agressivo perdeu fôlego; agora, o mercado pode começar a falar em um corte mais tímido de apenas 0,25 ponto percentual na reunião do Copom do mês que vem.
Atualmente, segundo o Termômetro do Copom, ferramenta do Valor Investe que mostra as expectativas dos investidores para os próximos movimentos da autoridade com base nos contratos de opções negociados na bolsa, a expectativa majoritária no mercado ainda é de um corte de 0,5 ponto percentual.
Petróleo, dólar, inflação: quais serão os impactos dos ataques entre EUA, Israel e Irã?
Pesquisadores e analistas do mercado financeiro começam a calcular os impactos na economia global da escalada militar no Oriente Médio após o ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã e a resposta do regime de Teerã. De imediato, especialistas ouvidos pelo GLOBO acreditam numa elevação no preço do petróleo, além de valorização do dólar e do ouro e possíveis impactos inflacionários mundo afora.
O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, encerrou a sexta-feira negociado a US$ 73 e já estava a R$ 80 no mercado de balcão, segundo analistas. Para Luiz Carlos Prado, professor de Economia Internacional da UFRJ, o mais provável é que o barril alcance US$ 100, dadas as instabilidades no Oriente Médio.
Segundo dados do Boletim Estatístico Anual de 2025 da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o Irã é o oitavo maior produtor de petróleo bruto do mundo, com 3,2 milhões de barris produzidos diariamente em 2024. Se considerados apenas os membros da organização, o país sobe para a quarta posição.
Mas esse não é o único fator que pode impactar o preço do petróleo por causa dos conflitos. Horas após os primeiros ataques dos EUA e de Israel no Irã, no sábado, a Guarda Revolucionária do Irã informou que “nenhum navio está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz”. O fechamento não foi confirmado oficialmente, mas o anúncio iraniano e a tensão militar levaram as petroleiras e as empresas de transporte marítimo a ordenarem que seus navios fiquem longe da região.
Veja o ranking atual:
Estados Unidos – 13,20 milhões barris/dia
Rússia – 10,17 milhões barris/dia
Arábia Saudita – 8,95 milhões barris/dia
Canadá – 5,57 milhões barris/dia
Iraque – 4,26 milhões mil barris/dia
China – 4,21 milhões barris/dia
Emirados Árabes Unidos – 3,32 milhões barris/dia
Irã – 3,25 milhões mil barris/dia
Brasil – 3,25 milhões barris/dia
Kuwait – 2,56 milhões barris/dia
A via marítima, na fronteira sul do Irã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, e é considerada a mais estratégica rota de exportação de petróleo do mundo, conectando ao mercado internacional grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, e grandes volumes de gás natural liquefeito (GNL) do Catar.
Diariamente, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e grandes volumes de GNL atravessam a passagem, cerca de 25% do consumo mundial da commodity. Por isso, qualquer interrupção no tráfego pode provocar alta nos preços e instabilidade nos mercados internacionais. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia alertou ontem que o fechamento do Estreito de Ormuz à navegação pode levar a desequilíbrios significativos nos mercados globais de petróleo e gás. Com informações dos portais Estadão e O Globo.
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