Domingo, 05 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 1 de abril de 2018
Uma reportagem publicada na edição deste domingo (1º) pelo jornal O Globo trouxe novas informações sobre a execução da vereadora do Psol Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que incluem duas testemunhas que não teriam sido ouvidas pela polícia. Ambas teriam afirmado que policiais militares mandaram testemunhas sair do local do crime.
O jornal afirma que conversou com as duas testemunhas em separado e que ambas deram a mesma versão sobre o crime, que inclui detalhes sobre o momento da abordagem, a rota de fuga e as características físicas do autor dos disparos que mataram a vereadora e o motorista.
Segundo o relato das testemunhas ao jornal, o carro em que os assassinos estavam imprensou o veículo conduzido por Anderson no qual estavam Marielle e uma assessora parlamentar e que quase subiu na calçada. Ambas disseram, também, que só viram um veículo no momento em que foram feitos os disparos. As imagens de câmeras de vigilância sugeriam que dois veículos haviam perseguido o carro em que a vereadora estava.
As testemunhas disseram também que viram um homem negro, que estava sentado no banco de trás do carro dos criminosos, colocando o braço para fora do veículo com uma arma de cano alongado e que o armamento parecia ter um silenciador.
As duas pessoas ouvidas pelo jornal afirmaram ainda que o carro usado pelos criminosos deu uma guinada e fugiu, cantando pneus, pela Rua Joaquim Palhares. Até então, a suspeita era de que a fuga teria ocorrido pela Rua João Paulo Primeiro, perpendicular à Joaquim Palhares.
Ainda segundo a publicação, as duas testemunhas revelaram que permaneceram no local do crime até a chegada da polícia, mas que os policiais militares mandaram todos sair de lá sem serem ouvidos.
Desde os assassinatos de Marielle e Anderson Gomes, a investigação está sob sigilo. Diante da reportagem, a Polícia Civil foi questionada sobre a razão perla qual as duas testemunhas não foram ouvidas. A corporação não se pronunciou a respeito.
Na semana passada, o secretário de Segurança, general Richard Nunes, disse em uma entrevista que as investigações sobre o crime indicam uma motivação relacionada à atuação política de Marielle Franco.
“Temos mais de um indivíduo participando desse evento, temos mais de uma linha de investigação, precisamos fechar a dinâmica com outros órgãos. Mas eu saí da reunião otimista. A atuação política dela, não só de momento mas de futuro, indica que a gente tem que ter um olhar mais acurado nessa direção”, afirmou o secretário.
“Havia outros rumores sobre outros tipos de ligação, até de área pessoal, nós estamos descartando. Outra coisa também que se disse foi sobre relacionamento com assessores, demissões, não foi nada disso”, disse Nunes.
Um investigador do caso também teria relatado que estão sendo considerados projetos da vereadora e conflitos relacionados à atividade legislativa, apesar de ela nunca ter recebido ameaças. O mesmo agente afirmou que ela defendia pautas que contrariavam interesses de grupos, inclusive de milicianos.
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