Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de dezembro de 2017
No último dia de sua caravana pelo estado do Rio de Janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desferiu duras críticas contra o juiz federal Sérgio Moro. Em discurso na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no campus de Nova Iguaçu, Lula disse que Moro “tem que saber se alguém brigou no País contra a corrupção foi o PT”.
Lula também criticou os benefícios concedidos a delatores da Lava Jato. “Todos que prestaram delação estão fumando charuto e rindo da nossa cara, quem está fodido é o trabalhador”, disse o ex-presidente. “Constroem a sociedade entorpecida, anestesiada, e colocam a culpa de toda a desgraça em alguém. Estão jogando a culpa da miséria do País na Previdência Social”, disse Lula. Ele afirmou também que o presidente Michel Temer “não é um presidente, é um instrumento do poder financeiro brasileiro”.
“Moro viu que o apartamento não era meu, que não teve dinheiro da Petrobras, mas mesmo assim me condenou. Até testemunha de acusação, o Leo Pinheiro da OAS, o máximo que ele falou era que o Lula sabia, mas na audiência anterior falou que não sabia”, disse. “Desafio alguém a dizer que pedi ou alguém me deu R$ 5. Eu vim de baixo, sei o que é ser pobre”, afirmou.
O ex-presidente, que lidera todas as pesquisas de intenções de voto e pode vencer as eleições até mesmo no primeiro turno, criticou também a entrega do pré-sal brasileiro pelo governo de Michel Temer. “Nós estamos vendendo óleo cru e comprando gasolina refinada dos EUA, é o complexo de vira-lata. Ou assumimos o Brasil ou vamos voltar a ser colônia”, declarou. “Aqui sempre prevaleceu o complexo de vira-lata. O Brasil passou a ser colonizado pelo complexo de vira-lata, tudo que é de fora é melhor do que o da gente”, completou.
Moro disse que não debate com condenados
Moro disse nessa sexta-feira que “não debate publicamente com pessoas condenadas por crime” e se negou a responder a fala do ex-presidente Lula, para quem a atuação da Justiça tem servido para desmoralizar a Petrobras e o Rio de Janeiro.
Após participar de evento na sede da estatal do petróleo, no Centro do Rio, Moro ainda criticou o foro privilegiado e disse que casas legislativas podem agir “com desvio de poder”, ao evitar a prisão de parlamentares.
“O foro privilegiado fere o princípio da igualdade. Todas as pessoas têm que ser tratadas de maneira igual perante a lei. O princípio da igualdade está na base da nossa democracia. Por outro lado, na prática, os tribunais superiores estão assoberbados de processos, estão sobrecarregados de recursos”, afirmou. Segundo o juiz, é preciso pensar também nos mecanismos de proteção jurídica dos agentes políticos.
“Houve aquela discussão se está sujeita ou não uma prisão de um parlamentar a uma casa legislativa, não vou entrar no mérito da controvérsia. Mas, ainda que se for reconhecer alguma espécie de proteção, ela deve ser utilizada para proteger o parlamentar quanto a eventual perseguição política por conta da sua opinião pública e não para protegê-lo de investigações ou perseguições por corrupção”, acrescentou o juiz da Lava-Jato.
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