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Por Redação O Sul | 14 de maio de 2020
Uma análise do número diário de novas mortes por covid-19 confirmadas pelo governo federal mostra que todos os Estados do Brasil ainda apresentam uma tendência de piora da epidemia. O levantamento foi elaborado por pesquisadores da Impulso, organização da sociedade civil que desde o ano passado oferece apoio a municípios na gestão de programas como redução das filas em creches, da mortalidade infantil e da infrequência escolar. Desde março, a equipe passou a se dedicar apenas ao apoio no combate ao novo coronavírus.
A metodologia usada na análise inclui uma comparação da média de novas mortes confirmadas a cada cinco dias em cada Estado brasileiro. A visualização gerada está ordenada pelo ranking de qual Estado tem mais mortes, que aparecem nas barras vermelhas à direita do mapa de cores.
Para apresentar os dados, o grupo decidiu indicar a tendência usando cores para cada dia desde o início da epidemia no Brasil:
– Em verde estão os dias em que o Estado teve poucas mortes confirmadas, na comparação com seus piores dias;
– A escala muda gradualmente até a cor vermelha, que indica os dias com o maior número de novas mortes;
– Os dados consideram apenas as estatísticas oficiais, e não corrigem o atraso entre a data em que a morte ocorreu e a data em que ela foi confirmada;
– Isso quer dizer que os dias anteriores provavelmente tiveram mais mortes, mas que os dias recentes também tiveram mortes que ainda não foram confirmadas;
– No caso do Brasil, as datas mais recentes são as que mais aparecem em vermelho em todos os 26 Estados e no Distrito Federal.
“Isso mostra que todos os Estados ainda estão enfrentando seu pior momento até então”, explicou João Moraes Abreu, co-fundador da Impulso. Ele ressalta, porém, que a análise não inclui nenhuma projeção para o futuro. “É difícil saber se é o pior momento em geral, se chegamos no pico, se vamos reverter ou se é o começo de uma piora ainda mais acentuada.”
Países que já passaram pelo pior
A ONG também fez o mesmo levantamento para os países que acumulam o maior número de mortos até agora.
O Brasil está na sexta posição, atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Itália, França e Espanha. No entanto, a visualização indica que, enquanto aqui os números diários de novas mortes confirmadas seguem aumentando, nesses cinco países a tendência já é de queda.
“Nenhum país, Estado ou cidade sabe se atingiu ou não o pico da doença, até que ele já tenha passado. Mas você pode olhar para trás e perceber que o pico ainda não foi superado quando a situação está piorando a cada dia”, afirmou ele.
Outra forma de mostrar a “curva”
A tabela por cores foi a forma que a Impulso encontrou para auxiliar os prefeitos brasileiros a comunicar à população que o pior da epidemia ainda não passou, explicou Abreu, que fundou a Impulso em 2019, junto com sua colega Isabel Opice, depois que os dois concluíram o mestrado em administração pública na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
“Em nossa pesquisa, vários municípios pequenos apontaram estar mais preparados na frente de governança e comunicação, mas menos em assistência básica e vigilância. Nas conversas recentes, quase todos citam como principal desafio ‘fazer as pessoas ficarem em casa’ ou ‘fazer as pessoas entenderem que é sério’”, afirmou o economista.
“A conscientização da população em lugares afastados dos atuais epicentros da doença é difícil; até que seu tio ou colega do trabalho seja hospitalizado, não parece que é real.”
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