Quinta-feira, 11 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Tomar vacina é um gesto de amor, diz cientista

Compartilhe esta notícia:

Brasileira Sue Ann Clemens, responsável por trazer os estudos da vacina AstraZeneca para o País, será diretora. (Foto: Divulgação)

Em relatório publicado no dia 21 deste mês, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) atestou a queda, desde julho, dos indicadores de monitoramento da pandemia de covid-19 no Brasil, como internações e mortes – o que em grande parte se deve ao avanço da vacinação. No entanto, a instituição também observa a perda contínua de velocidade dessa tendência e reforça a necessidade de cuidados como uso de máscara, distanciamento social e exigência de comprovante de vacinação para alguns espaços. Mesmo assim, o sucesso do programa de imunização no Brasil é evidente. Mas mesmo com a queda na média móvel de mortes, o número total de mortes supera 606 mil.

“Devemos, em conjunto, conscientizar o indivíduo a se vacinar”, diz Clemens. “Seria um gesto de amor para tentar frear essa pandemia.”

Nesse contexto tem grande importância, prática e simbólica, a atuação da cientista carioca Sue Ann Clemens, que chefiou os testes clínicos da vacina AstraZeneca/Oxford no Brasil. Aos 52 anos, Clemens é pediatra, pesquisadora, chefe do comitê científico da Fundação Bill e Melinda Gates, professora de Oxford e diretora do Instituto de Saúde Global da Universidade de Siena, onde criou o primeiro mestrado em vacinologia do mundo.

Casada com o médico e pesquisador alemão Ralf Clemens, foi ela, com sua rede de contatos, que obteve financiamento do Instituto D’Or e da Fundação Lemmann para a comprovação da eficácia da vacina no Brasil. Essa saga está relatada em “História de uma vacina” (ed. Intrínseca, 208 páginas, R$ 49,90). No livro, que também fala de sua vida e formação, Clemens dedica um capítulo para as mulheres. “As mulheres são invisíveis”, diz. “Vivem no anonimato. Percebi que para fazer uma carreira internacional precisava trabalhar o dobro do que um homem.” Leia abaixo alguns trechos da entrevista que ela concedeu ao jornal Valor Econômico.

– Como foi a experiência de testar uma vacina num país onde o trato da pandemia é tão acidentado que justificou até uma CPI, com revelações assustadoras? “Embora as posturas oficiais realmente sejam avessas às vacinas, o Brasil tem uma história sólida de imunização. Há uma cultura enraizada de vacinação. E não só na aplicação das vacinas, mas também na produção. Temos grandes produtores de vacina e soro. A cultura da imunização, somada à situação de alastramento da covid e à falta de leitos, conseguiu fazer com que a gente recrutasse muito rápido pessoas para testagem. O resultado foi positivo. Ajudamos o mundo a provar a eficácia de cinco vacinas. E também estamos trabalhando no Instituto Gates em pesquisas de terapias para a covid-19, isoladas ou em combinação, com anticorpos monoclonais e anticoagulantes.”

– Países desenvolvidos, como os Estados Unidos e outros, têm tido dificuldade em convencer as pessoas a se vacinar. Qual a solução? “Não é de um dia para o outro que isso muda. O Brasil tem essa tradição porque há décadas somos auxiliados por um órgão muito importante na América Latina, a Organização Pan-Americana de Saúde [Opas], braço da Organização Mundial de Saúde [OMS]. Tanto que a cobertura de imunização de doenças como pólio e sarampo é muito mais significativa nas Américas Central e do Sul do que em outras regiões de todo o mundo. Nós dizemos que os países latino-americanos são subdesenvolvidos, mas vai ver a cobertura da vacinação nos países desenvolvidos… A Opas tem um papel fundamental no trabalho de unificar políticas e estratégias de saúde pública, o que abre caminho para reunir formadores de opinião, governos e líderes financeiros para sentar em volta da mesma mesa e discutir. E a Opas também tem um fundo que ajuda a baixar os custos das vacinas e consegue negociar muito melhor do que cada país individualmente.”

– A obrigatoriedade do certificado de vacinação para entrar em determinados lugares gerou protestos em vários países, porque há quem considere ser uma forma de exclusão. Como a senhora vê isso? “Acho que as pessoas têm o direito de não querer se vacinar, mas devem pagar um preço por isso. O estabelecimento que exige provas de vacinação também tem esse direito. Eu respeito quem não quer se vacinar porque a democracia é uma conquista feita a duras penas. Mas devemos, em conjunto, conscientizar o indivíduo a se vacinar, mesmo que desta vez. Seria um gesto de amor para tentar frear essa pandemia.” As informações são do jornal Valor Econômico.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Sem máscara: saiba o que pensam os médicos sobre as leis que flexibilizam o uso do acessório
Fiocruz e AstraZeneca fecham acordo para produção de mais 60 milhões de doses de vacina contra a covid
Pode te interessar