Terça-feira, 14 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2026
A onda de calor que elevou as temperaturas na França fez circular nas redes sociais uma curiosidade sobre um dos monumentos mais conhecidos do mundo: a Torre Eiffel teria ficado cerca de 10 centímetros mais alta por causa do calor.
Mas isso realmente aconteceu?
A resposta exige uma ressalva. A expansão da torre é um fenômeno real e esperado, provocado pelo aquecimento de sua estrutura metálica.
Um aumento próximo de 10 centímetros também é considerado fisicamente plausível em dias muito quentes.
Isso não significa, porém, que técnicos tenham medido a torre durante a atual onda de calor e constatado exatamente esse crescimento.
O número divulgado em diferentes publicações é resultado de cálculos e aproximações, feitos a partir da temperatura e das propriedades do material.
Em outras palavras:
É impreciso afirmar que a torre “cresceu exatamente 10 centímetros” nesta onda de calor.
É correto dizer que ela se dilata com o calor e que esse aumento pode chegar à ordem de alguns centímetros, dependendo da variação de temperatura considerada.
A própria administração do monumento é mais cautelosa: afirma que o calor pode alterar suas dimensões em alguns milímetros e também provocar um pequeno deslocamento do topo.
Essas mudanças, contudo, são naturais, previstas pelos engenheiros e não representam risco para a estrutura.
Por que a Torre Eiffel aumenta de tamanho?
O fenômeno é chamado de dilatação térmica.
Quando um material é aquecido, suas partículas passam a se movimentar com mais intensidade e ficam, em média, um pouco mais afastadas umas das outras.
Em uma pequena barra de metal, essa mudança é praticamente imperceptível. Mas, quando o mesmo efeito ocorre em uma estrutura com centenas de metros, a soma dessas pequenas variações pode resultar em alguns centímetros.
“À medida que um sólido aquece, as partículas vibram um pouco mais. Se as partículas vibram mais, há um maior espaçamento entre elas”, explica Acauan Figueiredo, professor de Física do Curso Anglo.
“Macroscopicamente, nós conseguimos observar esse maior espaçamento pela dilatação, ou seja, pelo aumento da dimensão daquele corpo à medida que a temperatura aumenta.”
E considerando a antena instalada no topo, a Torre Eiffel tem cerca de 330 metros de altura.
Sua estrutura é formada principalmente por ferro pudlado, um material usado em construções no século XIX e que, assim como outros metais, se expande quando aquecido.
O mesmo processo ocorre no sentido contrário: em dias frios, o metal se contrai e a torre fica ligeiramente menor.
De onde vêm os 10 centímetros?
Figueiredo explica que uma forma simplificada de calcular a dilatação considera três fatores:
O tamanho inicial da estrutura: quanto maior o objeto, maior tende a ser a variação total.
A mudança de temperatura: uma diferença maior entre a temperatura inicial e a final provoca uma dilatação maior.
O material utilizado: cada material possui um coeficiente próprio de dilatação.
No caso da Torre Eiffel, o cálculo frequentemente divulgado considera que a estrutura metálica pode atingir temperaturas muito superiores às registradas no ar.
Em um dia de forte calor e sol direto, uma face da torre poderia chegar a aproximadamente 60°C, mesmo que os termômetros da cidade indiquem valores menores.
“Se quiséssemos que a Torre Eiffel crescesse 30 centímetros, todos os lados teriam que estar expostos ao sol simultaneamente, para que a expansão ocorresse nos quatro lados da torre”, afirmou ao canal francês TF1 Richard Paumier, chefe do departamento de operações técnicas da empresa operadora da torre. Com informações do portal G1.
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