Sábado, 29 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 8 de maio de 2019
A PF (Polícia Federal) prendeu nesta quarta-feira (8) três executivos do Banco Paulista S.A. em uma nova fase da Operação Lava-Jato deflagrada para investigar esquema de lavagem de dinheiro que pode ter envolvido recursos no montante de 328 milhões de reais, informaram as autoridades. Entre os presos estão o então diretor da área de operações de câmbio e o então diretor-geral da instituição na época dos crimes apurados, entre 2009 e 2015, de acordo com a PF. As informações são da agência de notícias Reuters e da PF.
O Ministério Público Federal afirmou que investigações apontaram que o banco foi utilizado para lavagem de ao menos 48 milhões de reais oriundos da empreiteira Odebrecht no âmbito do esquema de corrupção investigado pela Lava Jato.
Outros repasses suspeitos a empresas aparentemente sem estrutura no valor de 280 milhões de reais também são objeto da apuração, acrescentou o MPF.
“A área de câmbio do Banco Paulista foi surpreendida hoje com uma operação da Polícia Federal em sua sede. A instituição está colaborando com as autoridades e retomando suas operações regulares”, disse em nota o banco, que é mais conhecido por sua corretora, a Socopa.
Segundo a Polícia Federal, a instituição bancária “valia-se de posição privilegiada dentro da estrutura financeira do mercado para a viabilização de atividades ilícitas”.
A PF acrescentou que a operação marca a primeira vez que a Lava Jato cumpre mandados diretamente na sede de um banco.
“A operação de hoje inicia a responsabilização de agentes que atuaram no mercado financeiro e bancário, e permitiram que milhões de reais fossem lavados e pagos como propina no grande esquema revelado pela Lava Jato”, disse o procurador da República Júlio Noronha em comunicado.
Além dos mandados de prisão contra os executivos do Banco Paulista, a operação também cumpriu outros 41 mandados de busca e apreensão, incluindo na sede da instituição bancária e em empresas que transacionaram com o banco.
Cerca de 170 policiais federais cumpriram os três mandados de prisão preventiva e os 41 mandados de busca e apreensão em 35 locais diferentes nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba (PR).
A 61ª fase da Operação Lava Jato foi denominada Disfarces de Mamom. O nome da operação, segundo a PF, remete a uma passagem bíblica “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6.24). Isso porque a instituição bancária envolvida, que deveria zelar pelo higidez do sistema financeiro no âmbito do qual ela estava inserida, valia-se de sua posição privilegiada dentro da estrutura financeira do mercado para a viabilização de atividades ilícitas.
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