Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de maio de 2020
Uma igreja na cidade de Bradenton, na Flórida (EUA), que vende desinfetantes que ela diz serem capazes de curar 95% das doenças do mundo, como HIV, autismo, alzheimer, leucemia e, mais recentemente, até a Covid-19, foi proibida temporariamente de comercializar os produtos por um tribunal federal dos Estados Unidos. A decisão, segundo reportagem do jornal americano The Miami Herald, não agradou nem um pouco a organização:
“Nós estamos fazendo o bem, por isso não temos medo de vocês. Vocês ainda não têm autoridade em igrejas e nas suas práticas”, escreveu Mark Grenon, líder da Igreja Gênesis II de Saúde e Cura, em um e-mail para a juíza Kathleen M. Williams, em 24 de abril. Grenon ainda afirmou ter mandado mensagens para o presidente Donald Trump sobre seu produto, além de ter dito à magistrada para anular as decisões contra a organização.
“Não cave para si um buraco mais fundo”, escreveu. “Você pode nunca sair disso!”.
A juíza ainda emitiu, de acordo com o The Miami Herald, uma outra liminar para prorrogar o tempo de proibição de venda do produto, que é chamado de MMS, também conhecido como “Master” (Mestre) ou “Miracle Mineral Solution” (Solução Mineral Milagrosa, em tradução livre).
“O tribunal considera que os Estados Unidos correm um grande risco se os réus continuarem a violar a determinação no futuro”, declarou a juíza em 1 de maio.
De acordo com a Food and Drug Administration (FDA), órgão semelhante à Anvisa no Brasil, a ingestão do produto comercializado pela igreja pode acarretar em problemas de saúde e levar à morte.
“O FDA recebeu relatos de consumidores que tiveram vômitos, diarreias intensas e pressão sanguínea baixa com risco de vida por causa de desidratação”, disse a agência em um comunicado no final de 2019.
O produto foi comercializado para adultos, incluindo mulheres grávidas, além de crianças. “Não tema esse coronavírus”, disse uma publicação no site da igreja. “Tema a vacina e os remédios!”.
Donald Trump
No final de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu métodos sem embasamento científico para combater o novo coronavírus em seu briefing diário na Casa Branca. Ele comentou sobre o uso de uma injeção de desinfetante.
“Veja o desinfetante, que derruba o vírus num minuto. Um minuto. Haveria alguma forma de fazer algo do gênero, como injetar ou fazer uma limpeza em uma pessoa?”, perguntou.
Após gerar forte reação de especialistas, Trump minimizou suas declarações sobre o uso de injeções de desinfetante para combater o coronavírus. A jornalistas na Casa Branca, Trump disse que foi sarcástico quando fez a sugestão. “Eu estava fazendo uma pergunta sarcástica a repórteres como você, apenas para ver o que aconteceria.”
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