Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de janeiro de 2016
Riyadh, Ahmed e Khalid são filhos de pais sírios. Eles nasceram no Ano Novo. Entretanto, o nascimento dos trigêmeos no campo de refugiados do Vale Bekaa, no Líbano, que deveria ser um motivo de celebração, deu lugar à tristeza. Amal, a mãe dos meninos, morreu logo após o parto em função de um forte sangramento. Coincidência ou não, a mãe de Amal, a avó materna dos meninos, também morreu enquanto dava luz à filha.
Temor.
Feliz com a notícia dos trigêmeos, Amal, já tinha escolhido o nome das crianças antes mesmo do nascimento. A jovem mãe disse ao marido para que cuidasse bem das crianças, caso algo acontecesse com ela. O clima no Vale Bekaa parece percebido o temor de Amal.
Menos de uma semana após sua morte, a pior tempestade de neve desabou sobre o vale, trazendo um vento congelante e montanhas de neve. Assim a família, distante de sua casa e de seu país, teve de enterrar a mãe das crianças, enquanto lutava para manter os bebezinhos seguros e aquecidos.
Jalila, 55 anos, a avó paterna, e Fatieh, a tia, cuidam dos pequenos. Jalila já criou 12 filhos, mas teme pelos netos. “Eu me preocupo com essas crianças, elas têm Deus, eu e o pai”, destacou. “Vou mantê-los aquecidos e espero que Deus tenha misericórdia deles.”
Um pedaço de papel dobrado, com orações, repousa sobre o peito do recém-nascido Khaled, antes dele ser agasalhado por sua avó, Jalila. Todos os dias, os bebês são embrulhados em camadas e mais camadas de mantas, já que o inverno trouxe temperaturas congelantes.
Dor da perda.
O pais das crianças, Saleh, 31, ainda se lembra como conheceu Amal e se apaixonou por ela imediatamente. Ela amava as crianças, contou ele. Não é nenhuma surpresa: os trigêmeos tem três irmãos mais velhos, uma menina e dois meninos, todos com menos de 4 anos. “Minha esposa foi uma rainha da beleza”, lembrou ele. “Quando eu a vi, nós gostamos um do outro imediatamente. Eu a amava muito, e ela me amava também.”
A mãe de Saleh relatou que já acordou com sons de choro. Pensando que eram os trigêmeos, ela saiu da cama, só para encontrar seu filho abraçando seus três filhos mais velhos. Eles estavam de luto pela sua mãe – tudo Saleh podia e pode fazer no momento é abraçá-los e chorar com eles. Mais um triste retrato do sofrimento dos refugiados sírios, que já somam 4,4 milhões de pessoas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
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