Terça-feira, 03 de março de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2026
A guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada no sábado com o ataque conjunto americano-israelense contra o território da nação persa, cresceu em extensão entre a noite de domingo (1º) e a madrugada dessa segunda-feira (2), com as confirmações dos ataques trocados pelas Forças Armadas do Estado judeu e o Hezbollah, grupo libanês aliado de Teerã por meio do “Eixo da Resistência”, e do bombardeio de drones iranianos a uma base do Reino Unido no Chipre — país insular na fronteira geográfica e cultural entre Ásia e Europa.
A escalada ocorre em um momento sem espaço para o diálogo, com autoridades iranianas rejeitando uma suposta abertura de conversas com Washington, e representantes militares dos dois países afirmando estar prontos para uma guerra prolongada, com o próprio Donald Trump se dizendo disposto a mandar tropas ao solo “se necessário”.
O Hezbollah lançou foguetes contra o território israelense durante a madrugada, rompendo um frágil cessar-fogo mantido desde o último confronto de alta intensidade entre os inimigos históricos, em uma ação que a liderança do movimento afirmou ser uma retaliação pela morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Sirenes de emergência soaram por Israel, sobretudo no norte do país, com os militares realizando uma operação dupla de interceptação e ataque aéreo contra o Líbano.
Os bombardeios israelenses ao norte atingiram regiões de Beirute e no sul libanês. Ao todo, as Forças Armadas israelenses afirmaram ter atingido mais de 70 alvos ligados ao Hezbollah. Mortes foram relatadas na cidade de Tiro, ao sul, e em outras partes do país. Autoridades militares disseram que os alvos eram o alto comando do grupo, considerado uma organização terrorista por Israel, com o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmando que o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, “vai terminar como Khamenei”. O Exército israelense confirmou a morte do chefe da inteligência do grupo, Hussein Moukalled.
O governo do Líbano, que não entrou em guerra com Israel durante os confrontos recentes entre o Estado judeu e o Hezbollah, condenou de forma oficial os ataques lançadas contra o país vizinho a partir do seu território. O primeiro-ministro Nawaf Salam afirmou que tal tipo de decisão cabe apenas ao Estado, e pediu a proibição das atividades militares do movimento xiita.
A entrada do Líbano na lista dos países diretamente afetado pelos enfrentamentos militares desde os primeiros ataques no sábado aumenta o temor de que o conflito se aprofunde ainda mais. A retaliação maciça do Irã após ser bombardeado alcançou praticamente todos os países da região, com novos incidentes envolvendo interceptações de projéteis e alvos atingidos em uma vasta região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein e Jordânia.
Lideranças de países do Golfo se reuniram no domingo e anunciaram que se reservam a responder ao que consideram ataques diretos iranianos. Teerã afirma que os ataques se limitam a alvos americanos e retrata a resposta como um movimento legítimo a uma “declaração de guerra aos muçulmanos”. Por outro lado, infraestrutura civil tem sido atacada. O Catar afirmou que uma central elétrica foi atingida por drones do Irã, e que abateu dois bombardeiros iranianos SU-24.
Europa
Embora o começo das hostilidades já tenha tido implicações globais, com a maior alteração do tráfego aéreo global desde a pandemia e interrupções do trânsito naval em uma importante rota para o setor de petróleo e gás, as ações ostensivas do Irã romperam a barreira regional nesta segunda e elevaram o nível da tensão com a Europa. Drones iranianos atacaram uma base do Reino Unido no Chipre, no Mar Mediterrâneo, forçando uma retirada do pessoal militar destacado na região e provocando uma reação de atores europeus.
Cerca de 70 veículos deixaram a área da base de Akrotiri, na costa sul do país, segundo fontes locais, após o ataque de um drone iraniano. O governo cipriota comunicou posteriormente ter interceptado outros dois drones que seguiam em direção à base.
O ataque iraniano foi lançado após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciar ter autorizado os EUA a usarem as bases do Reino Unido na região para “ações defensivas” – citando bombardeios ao programa de mísseis iraniano. O premier trabalhista afirmou que o país não se somaria a nenhuma ofensiva, e disse em discurso na Câmara dos Comuns que o país não está em guerra.
A resposta europeia ao ataque americano-israelense ao Irã foi mista. Autoridades espalhadas pelo continente pediram contenção de todas as partes envolvidas, mas uma série de lideranças, incluindo o presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler da União Europeia, Kaja Kallas, classificaram a morte de Khamenei como um marco. Houve manifestações de preocupação com a desestabilização trazida pelo conflito, mas a maioria rejeitou discutir a legalidade dos ataques americanos, condenando apenas a retaliação massiva do Irã. (Com informações do jornal O Globo)
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