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Eleições 2026 Trump age como se quisesse eleger Lula, diz ex-assessor de outro presidente americano

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"Se Trump quisesse reeleger Lula, ele estaria fazendo tudo o que pode para alcançar esse resultado", afirma Richard Feinberg.

Políticas de comércio são matérias de negociação técnica, e o Brasil acerta ao não aceitar que os Estados Unidos condicionem esses acordos a interesses políticos. Até porque, no fim, se a postura do governo de Donald Trump tem surtido algum efeito político, é o de fortalecer o incumbente brasileiro. Essa é a avaliação de Richard Feinberg, professor emérito da Escola de Política e Estratégia Globais da Universidade da Califórnia em San Diego e ex-assessor do presidente americano Bill Clinton.

“Se Trump quisesse reeleger Lula, ele estaria fazendo tudo o que pode para alcançar esse resultado”, afirma Feinberg.

Feinberg foi diretor sênior de Assuntos Interamericanos no Conselho de Segurança Nacional dos EUA entre 1993 e 1996 e um dos nomes por trás da organização da primeira Cúpula das Américas, em 1994, em Miami.

Na avaliação de Feinberg, o Itamaraty vem agindo com competência, calma e profissionalismo, sem se deixar provocar, mas também demonstrando firmeza.

Recentemente, Feinberg escreveu uma carta de resposta ao subsecretário de Defesa Elbridge Colby na revista Americas Quarterly, após Colby classificar a visão do governo Clinton para as Américas como “abstrações altamente aspiracionais” e defender a “Doutrina Donroe” – a versão de Trump para a “Doutrina Monroe”, que alimentou o intervencionismo americano nos países latino-caribenhos na primeira metade do século 20.

Neste mês, o Departamento de Estado americano publicou um vídeo em sua conta na rede social X, narrado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Cabrera, explicando o surgimento da doutrina e afirmando que “o domínio dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”. Hemisfério Ocidental é como os EUA se referem a todo o continente americano.

Por trás das ações dos EUA na região está, ao menos em parte, o incômodo dos americanos com a presença dos chineses, o que não é uma novidade, observa Feinberg. Ele diz entender, no entanto, o comércio regional com a Ásia como pragmático e afirma que, se os EUA querem competir, precisam apresentar bons projetos em vez de “ficar gritando e esperneando”.

— Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

1) Além do canal econômico, os EUA têm operado para influenciar a América Latina através do tema da segurança, do combate ao narcotráfico. Existe uma preocupação legítima com a segurança da região ou há intenções adicionais?

Se você quer a opinião de pessoas da administração, tem de perguntar a elas. Você vê as declarações delas; pode aceitá-las como verdadeiras ou vê-las como alguma forma de desinformação. Ou você também pode entendê-las como mensagens direcionadas, principalmente, ao público interno dos EUA, mais do que ao internacional. Talvez, você tenha visto a gravação do Kevin Cabrera sobre a Doutrina Monroe. Ele é um embaixador júnior no Panamá. Até recentemente, era um político local no sul da Flórida. Ele não escreveu aquela declaração; obviamente, alguém a preparou para ele. Por que os apoiadores do MAGA (Make America Great Again), os trumpistas, divulgariam isso?

2) Por quê?

Acho que tem mais a ver com política interna. É o nacionalismo branco se mostrando durão, sem se projetar no hemisfério Ocidental ou na política externa. É a ideia de que “somos os melhores, somos os mais durões”.

3) Isso lembra um pouco a ideia de “Grande Rússia” explorada por Vladimir Putin, de restaurar o peso geopolítico do país perdido após o fim da União Soviética…

É uma observação pertinente. Existe esse autoritarismo machista. Essas pessoas que sentem necessidade de exibir o peito nu enquanto montam cavalos.

4) O senhor acha que, neste contexto geopolítico, há espaço para o Brasil ter a posição de neutralidade que historicamente construiu ou ele vai precisar se posicionar?

Eu diria que, se Trump quisesse reeleger Lula, ele estaria fazendo tudo o que pode para alcançar esse resultado.

5) O senhor elogiou o Itamaraty, mas, se tivesse de dar uma recomendação para autoridades brasileiras sobre como lidar com essa nova política externa dos EUA, o que diria?

Até o momento, acredito que o Itamaraty, ou o governo Lula, tem se posicionado bem, reagindo com calma e profissionalismo, sem se deixar provocar, mas com firmeza. Se o Departamento de Estado americano envia pessoas notoriamente antidemocráticas (para o Brasil), impedir sua entrada no país para proteger a democracia brasileira me parece uma resposta razoável. Se a questão é política comercial, então é uma questão de negociação. Creio que o Brasil não permitiu que o governo (americano) condicionasse sua política comercial a objetivos políticos, especialmente no que diz respeito a um político, (Jair) Bolsonaro e sua família. O Brasil diz: “Bem, isso é claro que não é aceitável, e vamos negociar a partir dai”. (Com informações do Valor Econômico)

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