Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Trump diz que pecuaristas americanos “estão indo bem” e cita tarifa sobre Brasil

Compartilhe esta notícia:

Políticos e influenciadores aliados do ex-presidente reclamaram da postura dos EUA nas redes sociais. (Foto: Reprodução)

O presidente Donald Trump atacou os pecuaristas dos Estados Unidos por suas críticas a seu plano de reduzir os preços recordes da carne bovina por meio da importação de mais carne da Argentina, aprofundando um conflito com um grupo de apoiadores tradicionalmente fiéis e gerando preocupações entre parlamentares republicanos de estados com forte produção agropecuária.

Em um post em sua rede social, Trump disse que os pecuaristas americanos “estão indo bem” porque impôs tarifas sobre o gado de outros países que é importado aos Estados Unidos, caso do Brasil.

“Os pecuaristas, que eu adoro, não entendem que a única razão pela qual estão indo tão bem — pela primeira vez em décadas — é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos Estados Unidos, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”, disse em trecho da publicação.

Trump afirmou ainda que, se não fosse por ele, os criadores de gado americano “estariam na mesma situação dos últimos 20 anos”, que classificou como “péssima”:

“Seria bom se eles entendessem isso, mas eles também precisam reduzir seus preços, porque o consumidor é um fator muito importante no meu raciocínio também!”, disse.

Os comentários do presidente foram feitos um dia após o líder da maioria no Senado, John Thune, e outros republicanos afirmarem que abordaram o assunto durante um almoço na Casa Branca. Vários disseram que também conversaram nesta semana com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Thune, um republicano da Dakota do Sul, disse que discutiu “extensivamente” a importação de carne da Argentina com a Casa Branca. Já o senador republicano da Dakota do Norte, John Hoeven, afirmou que destacou, em reuniões com Trump e outros membros do gabinete, que os pecuaristas querem ser eles os responsáveis por aumentar a oferta interna de carne para reduzir os preços.

O governo, acrescentou Hoeven, está analisando várias soluções para atender às preocupações dos produtores.

A declaração do presidente americano ocorre quando um encontro entre o republicano e Lula é cotado para acontecer. A reunião entre os dois pode ser realizada já no próximo domingo, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático, na Malásia.

O plano de Trump para aumentar as importações de carne bovina da Argentina foi recebido com desdém pelos pecuaristas, que afirmam que a medida pode devastar o setor, enquanto especialistas dizem que teria pouco impacto na redução dos preços.

A carne argentina representa apenas cerca de 2% das importações de carne bovina dos EUA, e o aumento dessa oferta teria, na melhor das hipóteses, um efeito marginal sobre o que os consumidores pagam.

“Os participantes do mercado sabem que o aumento das importações da Argentina reduzirá a demanda por gado nacional, e é por isso que os mercados de gado reagiram negativamente ao plano do presidente”, disse Bill Bullard, diretor executivo do Ranchers-Cattlemen Action Legal Fund, United Stockgrowers of America, em comunicado na segunda-feira.

“O presidente Trump deveria direcionar seus responsáveis antitruste a investigar até que ponto a suposta manipulação ilegal de preços contribuiu para os altos preços da carne hoje.”

Os preços da carne bovina nos EUA dispararam para níveis recordes, desafiando a promessa de Trump de tornar os alimentos mais acessíveis. As crescentes importações não foram suficientes para compensar uma severa escassez de gado no mercado interno.

Tarifas de até 50% sobre produtos importados do Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, estão agravando ainda mais a escassez de oferta.

Ao mesmo tempo, muitos agricultores enfrentando a queda nos preços da soja e do milho — resultado da guerra comercial de Trump com a China — dizem que a receita da carne bovina é crucial para manter suas atividades em funcionamento.

Na terça-feira, Rollins afirmou que o governo em breve anunciará um “grande pacote” com o objetivo de fortalecer a produção de carne bovina nos EUA, diante da alta nos preços que atinge os consumidores.

“O que vamos fazer é incentivar a abertura de novas terras, facilitar o ingresso de novos pecuaristas e construir mais plantas de processamento pelo país, para que não fiquem concentradas apenas em algumas regiões do centro do país”, disse Rollins em entrevista à CNBC.

Ela acrescentou que, ao longo dos anos, os EUA transferiram grande parte de sua produção de carne para países como o Brasil, e que agora é hora de reverter esse processo, afirmando: “Vamos conseguir iniciar a reonshoring (repatriação) da produção de carne bovina de volta para a América.”

O senador Steve Daines, republicano de Montana, disse que Rollins tem sido “muito receptiva e compartilha da preocupação que muitos de nós temos aqui” quanto ao risco de inundar o mercado com carne da Argentina.

O conflito ilustra o dilema enfrentado por Trump ao elevar os impostos de importação aos níveis mais altos em um século. Embora as tarifas tenham ajudado a proteger algumas indústrias americanas, também contribuíram para o aumento dos preços ao consumidor — o que vai contra sua promessa de campanha de combater a inflação.

Segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, em agosto, os consumidores americanos pagaram em média um valor recorde de US$ 6,318 por libra (cerca de 453 gramas) de carne moída.

Recentemente, criadores de gado do país abateram mais vacas devido à seca e aos altos custos, fazendo com que o rebanho bovino americano, em julho, chegasse ao menor número para a metade do ano desde que os dados começaram a ser registrados em 1973.

O fornecimento de gado estrangeiro também está limitado, pois as importações do México continuam suspensas para evitar a propagação do mortal verme-da-bicheira (New World Screwworm). As informações são do jornal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Anvisa determina apreensão de medicamentos contra câncer falsificados; veja os lotes
Ministros do Supremo avaliam que recursos de Bolsonaro contra condenação podem ser julgados na próxima semana
Pode te interessar