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Mundo Trump e a guerra na Ucrânia: o que indicam as idas e vindas do presidente americano

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(Foto: Sergei Bobylev/RIA Novosti)

A paciência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o russo Vladimir Putin atingiu um novo limite e na última quarta-feira (22), à noite o americano impôs severas sanções contra a Rússia, as primeiras de seu segundo mandato. A medida ressaltou um novo grau de frustração com Putin depois que um plano para um novo encontro entre eles fracassou.

As novas sanções foram anunciadas no momento em que o presidente se sentou no Salão Oval com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que havia voado para Washington em nome de uma coalizão de líderes europeus desesperados para manter Trump ao lado da Ucrânia.

As sanções visavam as duas maiores petrolíferas da Rússia, a Rosneft e a Lukoil. Elas representam um esforço ampliado para cortar a receita e os suprimentos que alimentam a invasão da Ucrânia por Moscou e obrigar o presidente russo a negociar o fim da guerra.

É também um novo episódio das idas e vindas de Trump com a guerra na Ucrânia, um conflito que ele garantiu que encerraria em 24 horas como presidente. Desde então, o americano tem oscilado entre indiretamente apoiar Putin e se voltar contra ele.

Resolver a guerra na Ucrânia se tornou um dos grandes objetivos de Trump para realizar seu sonho de ter um prêmio Nobel da Paz. Assim como resolver a guerra de Israel na Faixa de Gaza.

Já na campanha eleitoral, Trump criticava o governo de Joe Biden por ter, em suas palavras, permitido que a guerra acontecesse. Também era contra o envio de ajuda militar dos EUA para a Ucrânia.

O republicano garantiu, como presidente, que era capaz de acabar com o conflito em um dia, o que levantou preocupações de que, na verdade, ele atendesse aos desejos de Putin.

Assim que assumiu, seu governo começou a trabalhar em conversas sobre cessar-fogo. Porém, já existiam tentativas de negociação entre Rússia e Ucrânia, na Turquia, mas que nunca avançaram por falta de disposição da Rússia. Trump, no entanto, culpava os dois lados pelo fracasso. Ele reviveu essas mesmas negociações, acreditando que com sua mediação os resultados seriam diferentes.

No início de fevereiro, Trump teve sua primeira conversa por telefone com Putin, ocasião em que ele disse que os dois se encontrariam na Arábia Saudita. Este encontro nunca aconteceu. Só depois de falar com Putin primeiro, Trump falou por telefone com o ucraniano Volodmir Zelenski.

Quase imediatamente, Trump paralisou a ajuda militar e passou a exigir que a Ucrânia compasse pelos envios já feitos no passado. Com isso, o republicano passou a pressionar Kiev a assinar um acordo no qual permitisse aos EUA acesso às suas terras raras.

Zelenski viajou à Casa Branca no fim de fevereiro na intenção de assinar o tal acordo. Mas o encontro terminou muito mal. Ao tentar dialogar com Trump e seu vice JD Vance de que a Ucrânia era o país invadido, Zelenski se viu encurralado pelos americanos no Salão Oval na frente da imprensa.

A reunião virou um bate-boca, com Trump chamando Zelenski de ingrato. No fim, o acordo de minerais não foi assinado e quem saiu vitorioso do encontro foi Vladimir Putin.

Desse momento em diante, Trump passou a defender mais fervorosamente que um acordo de paz na Ucrânia passava pela concessão dos territórios atualmente ocupados pela Rússia.

Os americanos chegaram a avançar negociações com esses termos nas conversas na Turquia, onde se esperava que Zelenski e Putin viajassem para assinatura de algum cessar-fogo. Mas Putin nunca apareceu.

O fracasso nas negociações e o claro desprezo de Putin em avançá-las causou a primeira irritação em Trump. Em julho, Trump conversou com o russo por telefone e, horas depois, Moscou promoveu um dos maiores ataques à Ucrânia desde o início da guerra.

Com isso, o americano passou a dizer que estava “desapontado” com Putin. Ameaçou impor mais sanções ao setor de energia e petróleo de Moscou, além de retomar o envio de armas para Kiev. As ameaças do americano surtiram efeito, e Putin aceitou um encontro presencial no Alasca.

O encontro foi um sucesso para o russo. Trump lhe estendeu o tapete vermelho e fez um show de caças. Depois de três anos de isolamento, Putin tirou uma foto apertando a mão de um Trump sorridente. Os dois saíram juntos no mesmo carro e sem intérpretes. O russo falou primeiro na coletiva de imprensa, mesmo estando em território americano.

A reunião terminou sem nenhum avanço prático. Não houve assinaturas de cessar-fogo ou qualquer compromisso russo com o fim da guerra.

Dias depois foi a vez de Zelenski retornar à Casa Branca depois do bate-boca. Para evitar que o ucraniano caísse em uma nova armadilha, líderes europeus da Otan foram em peso acompanhá-lo.

O encontro foi um grande momento de bajulação a Trump. Depois de ser chamado de ingrato, Zelenski disse “obrigado” ao americano ao menos 11 vezes.

Esta conversa trouxe mais avanços que beneficiavam a Ucrânia. Trump deixou claro que não permitiria um ingresso dos ucranianos na Otan – uma reivindicação russa -, mas, por outro lado, forneceu garantias de segurança à Kiev para evitar agressões futuras.

Os ataques à Ucrânia, no entanto, nunca pararam. Na realidade, eles foram além, com drones invadindo espaços aéreos da Polônia, Dinamarca e Noruega.

Depois de ter sucesso com um acordo de cessar-fogo para a Faixa de Gaza. Trump voltou a olhar para a Ucrânia atrás do mesmo. Algumas semanas atrás, o americano ligou para Putin e ameaçou novamente com sanções e envio de mísseis Tomahawk à Ucrânia.

No último dia 17, Zelenski voltou à Casa Branca, onde insistiu nos mísseis e novamente ouviu de Trump que deveria ceder seus territórios à Rússia. Porém, a partir desse dia, o americano se mostrou mais disposto a apoiar à Ucrânia.

Em uma reviravolta na política externa americana, Trump declarou que a Ucrânia poderia, com apoio da Europa, retomar todo o seu território.

Depois de sua ligação com Putin antes do encontro com Zelenski, Trump afirmou que os dois líderes se reuniriam em Budapeste, na Hungria, sem determinar uma data. O encontro, com tudo, não deu certo. Essa parece ter sido a última grande frustração de Trump com Putin.

“Simplesmente não me pareceu certo”, disse Trump sobre a reunião em Budapeste. “Não parecia que chegaríamos onde precisávamos. Então, cancelei.”

E seguiu: “Toda vez que falo com Vladimir, tenho boas conversas, mas elas não levam a lugar nenhum”, disse ele. “Simplesmente não levam a lugar nenhum.”

Na última quarta, então, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou sanções contra duas das maiores empresas petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil, com o argumento de que Putin se recusa “a pôr fim” à guerra na Ucrânia.

As sanções estão entre as medidas mais significativas que os Estados Unidos adotaram contra o setor energético russo desde o início da guerra. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e The New York Times e da agência de notícias AP.

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