Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de outubro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está tentando forçar a Ucrânia a se render na guerra, afirmou o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, em uma entrevista publicada no domingo (18) em meio ao agravamento de uma disputa entre os dois líderes que levou as relações entre eles a um de seus piores momentos.
“Acredito que foram tomadas medidas para convencer a Ucrânia a capitular”, disse Zelenski à Bloomberg News. Ele se referia a uma série de medidas adotadas nos últimos dias pelo governo Trump que poderiam fortalecer a máquina de guerra russa e, ao mesmo tempo, limitar a capacidade de combate da Ucrânia.
Zelenski acrescentou que não queria acreditar que Washington estivesse buscando acelerar o fim da guerra às custas da Ucrânia. “Mas é o que parece”, afirmou.
As declarações encerraram uma semana em que os dois líderes trocaram algumas de suas críticas mais duras até agora. Zelenski afirmou que Trump tem uma afinidade instintiva com autocratas, em uma clara referência ao presidente russo, Vladimir Putin, enquanto o líder americano incentivou os ucranianos a retirar Zelenski do poder por meio do voto.
No domingo, durante uma participação no programa Meet the Press, da NBC, Zelenski pareceu indicar que concorreria à Presidência caso uma eleição fosse realizada durante a guerra. Foi a primeira vez que ele sugeriu publicamente essa possibilidade, depois de passar meses sem dar uma resposta definitiva sobre o assunto.
Ele, porém, minimizou a possibilidade de realizar eleições durante o conflito. A Rússia tem se recusado repetidamente a aceitar um cessar-fogo que permitiria à população votar, e a ampla maioria dos ucranianos se opõe à realização de eleições em tempos de guerra.
A troca de ataques verbais entre Zelenski e Trump começou em 9 de outubro, quando o presidente americano anunciou que os Estados Unidos comprariam diesel russo para tentar reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato. O acordo poderia injetar bilhões de dólares na economia russa.
Em seguida, Trump exigiu que Kiev interrompesse os ataques contra refinarias russas, uma das principais formas de pressão da Ucrânia na guerra, para permitir que o petróleo russo voltasse ao mercado.
Em uma publicação nas redes sociais na noite de domingo, Trump se posicionou abertamente ao lado da Rússia, país agressor no conflito, ao explicar por que estava oferecendo incentivos ao Kremlin para negociar um acordo de paz. Ele atacou Zelenski, afirmando que o presidente ucraniano “não quer acabar com esta guerra e provavelmente nunca quis”.
Na segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Putin, Trump e o líder chinês, Xi Jinping, poderiam se reunir no próximo mês em Shenzhen, na China. A declaração alimentou temores na Ucrânia de que Trump esteja apenas incentivando Putin a prolongar o conflito e de que os dois líderes estejam conspirando para, no futuro, impor a Kiev um acordo desfavorável para encerrar a guerra.
A Ucrânia acusou Washington de restringir o acesso das Forças Armadas ucranianas a uma rede segura de internet via satélite fornecida pelos Estados Unidos, considerada importante para as operações na linha de frente.
O país também reclamou do que descreveu como falhas no compartilhamento de informações de inteligência americanas, que permitem emitir alertas antecipados sobre a aproximação de mísseis balísticos russos. Autoridades ucranianas afirmaram que não receberam esses alertas em duas ocasiões na semana passada. Zelenski disse que o problema voltou a ocorrer na noite de domingo.
Em uma publicação nas redes sociais, escreveu que a Ucrânia não recebeu “nenhum alerta antecipado de nossos parceiros” antes de os mísseis atingirem Kiev, a capital ucraniana.
Autoridades norte-americanas negaram ter interrompido o compartilhamento de informações de inteligência sobre mísseis balísticos com a Ucrânia.
O secretário de Estado, Marco Rubio, disse a jornalistas que a ausência de alertas na semana passada foi resultado de “um problema de software envolvendo o sistema de alerta antecipado deles” e afirmou que não poderia comentar o que ocorreu na noite de domingo.
Yurii Ihnat, porta-voz da Força Aérea ucraniana, confirmou que nenhum alerta antecipado foi emitido antes de uma primeira onda de mísseis atingir Kiev, às 23h de domingo, no horário local. Ele ressaltou que os alertas foram recebidos antes da onda seguinte, por volta das 3h de segunda-feira.
A Ucrânia afirmou que a Rússia lançou 16 mísseis balísticos contra Kiev e a região ao redor da capital, além de quase 270 drones. A Força Aérea informou ter derrubado mais de 240 drones. Não esclareceu se algum dos mísseis foi interceptado, seguindo uma nova política de não divulgar as taxas de interceptação de mísseis balísticos, em um momento em que Kiev enfrenta escassez de armamentos destinados a essa finalidade. (Com informações do portal Estadão)
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