Segunda-feira, 02 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de novembro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está se esforçando para que o Partido Republicano saia vitorioso nas eleições de meio de mandato, marcadas para esta terça-feira (3). O resultado irá ditar como serão os últimos dois anos de governo do presidente.
Contexto: Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.
Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis.
Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
Sendo assim, em novembro, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.
Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, o mesmo de Trump, conquistou a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Com isso, a legenda passou a controlar a pauta e as votações nas duas Casas.
Isso permitiu que Trump aprovasse pautas importantes para o governo dele. Ainda assim, ele enfrentou dificuldades, já que a maioria republicana é pequena e alguns parlamentares do partido contrariaram o presidente em votações.
Para Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais e especialista em política dos EUA, Trump está preocupado com o resultado das midterms. Uma derrota poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para os parlamentares barrarem ações do governo.
Segundo Poggio, Trump tem ignorado o Congresso e governado por meio de ordens executivas, semelhantes a decretos.
Foi dessa forma que o presidente impôs tarifas comerciais a vários países, incluindo o Brasil.
Com uma maioria democrata, o Congresso poderia impor mais obstáculos à agenda do presidente e dificultar o avanço das políticas do governo.
Mas a principal preocupação de Trump, de acordo com o professor, seria a abertura de investigações contra ele e membros do governo caso os democratas conquistassem a maioria na Câmara e no Senado.
“Com uma mudança no Congresso, a principal preocupação do Trump é com todas as investigações que serão feitas sobre malfeitos durante a administração dele. E os democratas já deixaram isso claro”, afirma.
“O atual Congresso tem sido muito omisso e deixado muito Trump fazer aquilo que ele quer.”
Poggio, no entanto, considera muito improvável um impeachment de Trump. Ele explica que não basta uma maioria simples na Câmara dos Representantes para afastar o presidente: é necessário o apoio de dois terços do Senado, o que exigiria o apoio de parlamentares republicanos.
Para o professor, um impeachment só seria possível em um cenário de crise profunda no país, com forte queda de popularidade do presidente e uma maioria democrata capaz de atrair votos republicanos.
“Esse é um cenário bastante distante”, avalia.
Para evitar o avanço democrata, Trump tem percorrido o país quase diariamente para participar de comícios eleitorais. Mais recentemente, prometeu pagar um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto americano caso os republicanos vençam as eleições.
Nos meses anteriores, o presidente também estimulou e apoiou mudanças nos mapas eleitorais para favorecer o próprio partido em alguns estados e garantir assentos na Câmara.
Trump também adotou medidas para tentar restringir o voto pelo correio, alegando que há fraudes nesse modelo. Dados apontam que eleitores democratas são mais propensos a votar pelo correio do que os republicanos.
Ainda assim, existe um alerta na Casa Branca. A poucos dias das eleições, pesquisas apontam que a desaprovação do presidente gira em torno dos 60%.
Segundo as pesquisas, a insatisfação dos eleitores está ligada principalmente à forma como Trump conduz a economia e ao alto custo de vida nos Estados Unidos.
A guerra contra o Irã, por exemplo, contribuiu para a alta dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, pressionando a inflação e o orçamento das famílias.
O desempenho do presidente no governo pode influenciar o resultado das eleições.
– O que são as midterms e por que elas têm esse nome? As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial.
As últimas eleições ocorreram em 2024. Trump tomou posse em janeiro de 2025, assim como os deputados e senadores eleitos naquele ano.
Em novembro de 2026, Trump estará na metade do mandato presidencial, enquanto os deputados eleitos em 2024 e os senadores eleitos em 2020 estarão perto do fim do mandato.
Os parlamentares eleitos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027.
Trump não disputa a eleição, e o mandato presidencial dele termina em janeiro de 2029.
A próxima eleição presidencial será em 2028. Na mesma data, haverá eleições para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado. As informações são do portal de notícias G1.
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