Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de julho de 2023
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou nessa sexta-feira (28) uma lei que muda a celebração do Natal para 25 de dezembro e não mais em 7 de janeiro, como costuma ser. “A população ucraniana esteve por muito tempo sujeita à ideologia russa em quase todas as esferas da vida, inclusive com o calendário juliano e a celebração do Natal em 7 de janeiro”, disse a nota que explica o projeto de lei, aprovado pelos parlamentares em meados de julho.
No entanto, continua o texto, “o poderoso renascimento da nação ucraniana continua. A luta contínua e frutífera por sua identidade contribui para a consciência e o desejo de cada ucraniano em viver sua própria vida, com suas próprias tradições, suas próprias celebrações”.
A decisão de mudar a data do Natal é a mais recente de uma série de medidas que a Ucrânia tomou nos últimos anos para se distanciar de Moscou, depois de alterar nomes de ruas e de cidades que remetiam à era soviética, por exemplo.
A lei ilustra o abismo entre as Igrejas ucraniana e russa, ampliado pela ofensiva do Kremlin lançada em fevereiro de 2022. No ano passado, pela primeira vez em meio à guerra, a Igreja Ortodoxa Ucraniana já havia liberado os fiéis para celebrarem o Natal em 25 de dezembro, passando a observar o calendário gregoriano e abandonando o calendário juliano adotado até então. Várias igrejas ortodoxas em todo o mundo, incluindo as da Rússia e da Sérvia, ainda usam o calendário juliano para suas celebrações religiosas e não o calendário gregoriano, amplamente implementado há séculos.
O calendário gregoriano foi criado pelo Papa Gregório XIII, no século XVI, e estabeleceu a contagem de meses e estações seguida até hoje e que teve, na época, o propósito de eliminar a defasagem, com o passar das décadas, entre a contagem do tempo oficial e o ritmo do ano solar, associado aos movimentos da terra em torno do sol. Até então reinava o calendário juliano, vigente desde aproximadamente 45 A.C.. A diferença de dias entre os dois calendários justifica as duas datas para marcar o Natal.
Submetida historicamente à tutela religiosa da Rússia, a Igreja Ortodoxa Ucraniana foi declarada, em 2019, “autocéfala” e independente do Patriarcado de Moscou. A parte da Igreja ucraniana que ainda se mantinha leal ao Patriarcado de Moscou também declarou independência em maio de 2022, quando o patriarca russo Cirilo apoiou a guerra. As informações são da agência de notícias AFP.
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