Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de novembro de 2023
A esposa do chefe da inteligência militar da Ucrânia foi envenenada e está se recuperando em um hospital, disseram autoridades ucranianas nessa terça-feira (28), um incidente que levou a especulações generalizadas de que a Rússia está intensificando os esforços para atingir as altas lideranças da Ucrânia.
Andriy Chernyak, funcionário da agência de inteligência militar ucraniana, disse que Marianna Budanova foi envenenada e estava recebendo tratamento. Seu marido, Kyrylo Budanov, é o chefe da agência conhecida como GUR (na sigla em inglês) e um dos líderes militares mais graduados do país. Chernyak se recusou a especular sobre o autor ou o tipo de veneno utilizado e não forneceu mais detalhes, citando a investigação em curso.
Metais pesados
O porta-voz da agência, Andriy Yusov, emitiu posteriormente um comunicado com um relato semelhante do incidente e disse que mais informações seriam divulgadas à medida que a investigação avançasse.
Segundo ele, foi um envenenamento deliberado com metais pesados, “principalmente mercúrio e arsênico”, e não um acidente. Yusov destacou ainda que o alvo do envenenamento foi Budanova e não o seu marido.
“É simplesmente impossível atingir diretamente o comandante (Budanova) desta forma”, disse o porta-voz, acrescentando que a vítima foi hospitalizada “há mais de uma semana”.
Os relatos de que Budanova tinha sido envenenada suscitaram suspeitas imediatas na Ucrânia de que a Rússia, que tem uma longa história de utilização de veneno como ferramenta para se vingar e eliminar supostos inimigos, pode ter sido a responsável.
Budanov afirma repetidamente que a Rússia planeja matá-lo, e Yusov disse recentemente que houve pelo menos 10 tentativas por parte de Moscou para fazê-lo.
Círculos internos
Se a Rússia conseguisse envenenar Budanov, isso poderia significar que seus agentes estão operando mais perto dos círculos internos do poder em Kiev do que se pensava ser possível.
Viktor Yahun, antigo vice-chefe da agência de inteligência nacional, o Serviço de Segurança da Ucrânia, participou em investigações anteriores sobre envenenamentos e disse que são necessárias mais informações antes que seja possível avaliar o caso Budanova. Mas também disse que ficaria surpreso se a Rússia tivesse agentes na Ucrânia que pudessem se aproximar de Budanova ou de seu marido.
“Simplesmente não há no território da Ucrânia o tipo de agente necessário que seja capaz de envenenar alguém”, disse ele.
A Rússia já teve como alvo líderes ucranianos de alto escalão no passado, incluindo o presidente Volodymyr Zelensky, segundo autoridades ucranianas. As informações são da agência de notícias AFP.
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