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Saúde Ultraprocessados representam ao menos 20% da alimentação diária na região Sul do Brasil, diz pesquisa

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No Rio Grande do Sul, as estimativas variaram de 17,6% no município de Coqueiro Baixo a 26,6% em Porto Alegre.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
No Rio Grande do Sul, as estimativas variaram de 17,6% no município de Coqueiro Baixo a 26,6% em Porto Alegre. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universidade de São Paulo (USP) aponta que pelo menos 20% da alimentação diária de moradores dos Estados da região Sul do Brasil é formada por alimentos ultraprocessados.

O levantamento mapeou dados de todos os municípios brasileiros. Das 5.570 cidades do País, Aroeiras do Itaim, no Piauí, teve o menor índice, com uma dieta em que 5,7% são ultraprocessados. Já em Florianópolis (SC) essa taxa é de 30,5%. No Rio Grande do Sul, as estimativas variaram de 17,6% no município de Coqueiro Baixo a 26,6% em Porto Alegre.

Santa Catarina é o Estado que mais consome esse tipo de alimento, com 23,9% das calorias diárias vindas de ultraprocessados. No outro extremo está Tocantins, com 12,9%.

O Sudeste aparece na sequência, liderado por São Paulo —na capital paulista, por exemplo, 25,5% da alimentação diária é composta por ultraprocessado.

As regiões Norte e Nordeste do país, com exceção da Bahia, aparecem com as menores taxas de consumo de ultraprocessados. Nos municípios de Dois Irmãos do Tocantins (TO) e Monte Santo do Tocantins (TO), a participação desses alimentos na dieta diária é de 5,83% e 5,87%, respectivamente.

Para Leandro Cacau, pesquisador do Nupens e principal autor do estudo, os resultados no Sul e Sudeste podem ser explicados pela urbanização e renda dos moradores dessas regiões. “Municípios que têm residentes com cinco ou mais salários mínimos são aqueles que possuem maior consumo de alimentos mais processados”, afirma.

O estudo apontou que todas as capitais, com exceção de Vitória, no Espirito Santo, registraram taxas de consumo de ultraprocessados acima dos 20%. O pesquisador ressalta, porém, que o menor consumo desses alimentos em áreas rurais não quer dizer que os moradores dessas regiões estejam, necessariamente, tendo acesso a uma alimentação saudável.

“Sabemos que essas pessoas consomem alimentos básicos como arroz, feijão, farinha e mandioca e que existe um menor consumo de utraprocessados, mas não dá para afirmar que eles consomem, por exemplo, frutas, cereais integrais, verduras e outros alimentos que são marcadores de uma alimentação saudável”, afirma Cacau.

Para o pesquisador, os novos dados podem ser úteis para a implementação de políticas públicas de âmbito municipal, estadual ou federal, que sigam o Guia Alimentar para a População Brasileira, que promove uma alimentação à base de alimentos minimamente processados.

O levantamento estatístico foi baseado em dados de 46.164 pessoas participantes da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-2018) e aplicados a dados sociodemográficos do Censo de 2010. Para mitigar a diferença temporal entre os números, os autores da pesquisa aplicaram fatores de correção com base em informações de cada município.

A POF ouviu brasileiros com idade a partir dos 10 anos e, para o levantamento, foram reportados mais de 1.800 alimentos —classificados como in natura ou minimamente processados, de ingredientes culinários processados, processados e ultraprocessados (alimentos prontos com formulações industriais).

 

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