Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de fevereiro de 2026
Um advogado especializado em direito bancário e mercado de capitais ajudou a aproximar Daniel Vorcaro e Augusto Lima, que se tornariam sócios no Banco Master, e a costurar boa parte das transações do banco. Daniel Lopes Monteiro é sócio do escritório Monteiro Rusu e comprou ações do BRB numa operação com Vorcaro. Homenageado pelo PT na Bahia, Monteiro participou da privatização de empresa no estado antes de se dedicar ao banco e acumular , segundo pessoas próximas a ele, uma fortuna.
Nos últimos anos, a relação com o banco ficou tão estreita, tamanha a demanda jurídica do cliente, que o advogado tinha uma sala no prédio do Master, o edifício Victor Malzoni, em São Paulo, segundo pessoas que se relacionaram com a instituição nos últimos anos. Monteiro construiu um patrimônio que incluiria de coleção de carros de luxo a avião, conforme essas fontes.
A aproximação começou com o Credcesta, que operava o cartão de crédito consignado na Bahia que se tornaria um dos principais ativos do banco. O Credcesta foi criado pela Empresa Bahia de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo que era estatal e foi privatizada. Monteiro atuou na venda à sociedade NGV SPE Empreendimentos e Participações, que cedeu os direitos de operação do Credcesta para a PKL One, de Augusto Lima.
Monteiro já assessorava Lima, portanto, quando levou a Vorcaro a proposta de compra do Credcesta, em 2018. Vorcaro comandava o Banco Máxima, que ainda seria rebatizado, e pagou R$ 22 milhões para comprar 50% da PKL One.
O advogado e Lima já tinham bom trânsito no círculo de poder baiano, abrindo as portas para Vorcaro. Nascido em São Paulo, Monteiro foi homenageado pela Assembleia Legislativa da Bahia, com título de Cidadão Baiano, no fim de 2024. A honraria foi proposta pelo deputado Rosemberg Pinto (PT).
“Dono de um currículo impecável e de uma trajetória profissional e pessoal irretocável, o indicado a esta honraria se faz digno da mesma pelos seus inúmeros préstimos à sociedade baiana, contribuindo para o fortalecimento do serviço público na Bahia”, disse o deputado à época. Uma das operações citadas como referência foi justamente a venda da Ebal e a abertura de uma filial de seu escritório, em 2022, em Salvador.
Monteiro teve passagem por escritórios renomados de advocacia, como Demarest e Cescon Barrieu, antes de ter sua própria banca, e passou a prestar assessoria legal frequente para as operações do Master após a transação do Credcesta. Foi ele quem orquestrou a estrutura de fundos administrados pela Reag, usados pelo Master e seu dono para investir. Também participou de operações como a compra da Will Financeira pelo Master, que passou a se chamar Will Bank, e do Banco Voiter (antigo Indusval), além da venda da seguradora Kovr.
O advogado também participou das conversas sobre o investimento do Master no BRB e chegou a adquirir ações do Banco de Brasília, operação em conjunto com Vorcaro. O advogado adquiriu, na pessoa física, papéis do banco estatal que eram detidos pelo fundo Delta, administrado pelo Master. O fundo tinha, em novembro, R$ 30 milhões em ações do BRB.
Outro fundo, o Borneo, administrado pela Ciabrasf (do grupo Reag), revendeu parte das ações do BRB a Monteiro e para um fundo administrado pelo Master, o Celeno. O fundo tinha R$ 129,8 milhões nesses papéis em maio de 2025. Um pouco antes, a Justiça do Distrito Federal tinha acatado o pedido do Ministério Público e proibiu o BRB de assinar o contrato de compra do Banco Master.
As ações do Banco de Brasília detidas pelo fundo Celeno teriam, depois, ido parar nas mãos de João Carlos Mansur, controlador da Reag – que, há um mês, apareceu no quadro societário do BRB. Essas operações foram estruturadas para que Vorcaro adquirisse participação no Banco de Brasília de forma fragmentada, ficando abaixo dos 5% cada para não ter que divulgar a posição ao mercado.
O Banco Master é hoje suspeito de irregularidades na venda de crédito consignado para aposentados e pensionistas, tema alvo da CPI do INSS. A operação do Credcesta foi que ajudou a alavancar o banco nesse segmento, até o ano passado, quando Lima encerrou sua sociedade com o Master e levou junto o Credcesta e o Voiter. Os ativos deram origem ao Banco Pleno.
Master, Will Bank e Pleno estão em processo de liquidação pelo Banco Central, somando uma conta de mais de R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. A intrincada relação financeira e política das instituições é investigada pela Polícia Federal.
Procurado, Daniel Monteiro afirma que foi apresentado a Daniel Vorcaro por Augusto Lima, para quem já prestava serviços jurídicos. A atuação para o Banco Master decorreu dessa relação profissional previamente estabelecida, disse ele. O advogado nega, no entanto, ter participado de reunião de apresentação da operação Credcesta ao então Banco Máxima e de reuniões com o BRB relativas à venda do Banco Master, ressaltando que esse processo foi conduzido por outro escritório. As informações são do jornal Valor Econômico.
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