Terça-feira, 05 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Um casal morreu na mesma UTI em São Paulo após 50 anos juntos

Compartilhe esta notícia:

Inês gostava de cuidar dos outros, Wilson era um passarinheiro. (Foto: Reprodução)

Não se sabe exatamente como Wilson e Inês se conheceram. Ambos trabalhavam na região paulistana da rua Augusta, nos Jardins. Alguns relatos dão conta de que utilizavam o mesmo ponto de ônibus. Para outros, o jovem ourives fazia parte do grupo de rapazes que estava sempre às portas do salão de cabeleireiro para paquerar as moças que trabalhavam ali, como ela.

Fato é que conviviam naquele pedaço da capital paulista. Wilson era um rapaz vaidoso e andava bem arrumado, na moda da época. Calças boca de sino, camisa aberta, mocassim, bigode e costeletas. Fazia sempre questão de andar perfumado e bem penteado. Levou para a sua vida o hábito de ter pentes à mão, como aquele redondo de encaixe nos dedos e outro de dois lados — um fino e um grosso.

Interrompeu os estudos na pré-adolescência para ajudar a família

Inês, era uma “baixinha bonita”, diz o irmão Eduardo. Ela interrompeu os estudos na pré-adolescência para ajudar a família, indo trabalhar na olaria de tijolos do pai. Aos 18, foi trabalhar na matriz do Jacques Janine na Augusta, onde desenvolveu o gosto pela cultura francesa — era apaixonada pela música de Charles Aznavour. Emocionou-se recentemente, ao enfim assistir um show do seu ídolo.

Casaram-se no início dos anos 1970. Inês gostava de cuidar dos outros. Às vezes até demais: um de seus bordões ao ligar para um dos três filhos que tiveram era “aonde você está e o que está fazendo?”, assim, sem nem dar oi.

Profusão de gaiolas e assobios na casa da família

Wilson era um passarinheiro. A casa da família era uma profusão de gaiolas e assobios, que se mesclavam aos sinos de vento que ela tinha. Ele desenhava e produzia joias. Trabalhou na H.Stern e sempre presenteou as mulheres da família com suas obras.

Unidade de Terapia Intensiva

No último dia 24, após meio século juntos, ambos estavam internados na mesma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ela, por problemas respiratórios decorrentes das décadas de cigarro. Ele, em função de uma série de complicações ocasionadas por causa da encefalopatia hepática pelo abuso da bebida. Cada um tinha o seu vício, afinal.

Cercados pela família, morreram em um intervalo menor do que uma hora

Os médicos avisaram que os órgãos de Inês estavam parando de funcionar. Cercada pela família, ela se foi, aos 69 anos. Enquanto os parentes rezavam por ela, novo aviso médico. Ao lado, o coração de Wilson, de 72, passarinhava. Morreram em um intervalo menor do que uma hora. “Você não vai ficar aqui sozinho”, ela provavelmente teria dito.

O casal deixa os três filhos, Wilson Júnior, Andreia e Gabriela, seis netos e um bisneto. Inês deixa ainda a mãe e dois irmãos. Wilson, uma irmã.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

A produção brasileira de veículos subiu 9,3% nos últimos 12 meses
A campanha contra a pólio e o sarampo começou nesta segunda: mais de 520 mil crianças devem ser vacinadas até o dia 31 de agosto no Rio Grande do Sul
Pode te interessar