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Mundo Um conselheiro do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, rejeitou a afirmação do governo da Arábia Saudita de que o jornalista Jamal Khashoggi morreu durante uma briga

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Jamal Khashoggi desapareceu em 2 de outubro, depois de entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul. (Foto: Reprodução)

Um conselheiro do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, rejeitou nesta segunda-feira (22) a afirmação do governo da Arábia Saudita de que Jamal Khashoggi morreu durante uma briga no consulado saudita em Istambul, insinuando que Riad “zombou” da opinião mundial, enquanto aumentava a incredulidade ocidental diante das várias versões sauditas para a morte do jornalista.

Khashoggi, colunista do jornal Washington Post e crítico do poderoso príncipe herdeiro saudita, desapareceu três semanas atrás depois de entrar no consulado saudita em Istambul para obter documentos para se casar. Na última sexta-feira (19), o governo saudita afirmou que Khashoggi morreu após uma briga com pessoas que estavam no consulado.

“É impossível não se perguntar como pode ter havido uma ‘troca de socos’ entre 15 combatentes jovens especializados e Khashoggi, de 60 anos, sozinho e impotente”, escreveu Yasin Aktay, conselheiro do presidente turco e amigo de Khashoggi, no jornal pró-governo “Yeni Safak”.

“O argumento da ‘troca de socos’ para a morte de Khashoggi é um cenário montado às pressas agora que ficou claro que os detalhes do incidente virão à tona em breve”, escreveu Aktay. “Quanto mais se pensa nisso, mais parece que se está zombando da nossa inteligência”.

Outra autoridade turca, Omer Celik, porta-voz do partido governista da Turquia, disse nesta segunda que a morte de Khashoggi foi “planejado com selvageria”. “Estamos diante de uma situação que foi planejada com selvageria e esforços consistentes foram feitos para esconder esse assassinato”, declarou em entrevista coletiva em Ancara.

Corpo retalhado

Autoridades da Turquia suspeitam que Khashoggi foi assassinado dentro do consulado e que seu corpo foi retalhado. Fontes turcas dizem que as autoridades têm uma gravação de áudio que supostamente documenta o assassinato do jornalista de 59 anos.

Erdogan disse que divulgará informações sobre a investigação de seu país em um discurso na terça-feira. Para os aliados da Arábia Saudita, a questão será se acreditam que o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, que se apresenta como um reformista, tem alguma culpa. O rei Salman, de 82 anos, deixou a seu cargo a administração cotidiana do reino.

Versões

A reação de Riad sobre o caso deixou vários governos ocidentais incrédulos e tensionou as relações do Ocidente com o maior exportador de petróleo do mundo. Inicialmente, o governo saudita negou o conhecimento do fato para depois dizer que ele morreu durante uma briga no consulado.

No domingo (21), o ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, disse que Khashoggi morreu em uma “operação clandestina”, mas alguns de seus comentários pareceram contradizer declarações anteriores de Riad, representando mais uma mudança na história oficial.

Um grupo de países, incluindo Alemanha, Reino Unido, França e Turquia, pressionou a Arábia Saudita para que apresente fatos, e a chanceler Angela Merkel disse que Berlim não exportará armas ao reino enquanto persistir qualquer incerteza a respeito do destino de Khashoggi.

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