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Brasil Um deputado federal levou a mulher, uma irmã e um filho de traficante para uma audiência com o ministro da Justiça

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Francisco Floriano, 58 anos, é cofundador da Igreja Universal. (Foto: Agência Brasil)

O deputado federal Francisco Floriano (DEM-RJ) levou a mulher, uma irmã e um filho do traficante, Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, além das esposas de outros dois criminosos, para uma audiência em Brasília com o ministro da Justiça, Torquato Jardim, em julho deste ano.

Na ocasião, o parlamentar pediu que o titular da pasta revogasse a proibição de visitas íntimas nos presídios federais de segurança máxima, decretada dois meses antes pelo governo brasileiro. Conforme o deputado, Torquato respondeu que não era de sua atribuição resolver o caso. Em entrevista à imprensa na tarde desse sábado, Floriano deu mais detalhes sobre a audiência.

“Foi solicitada oficialmente, por meios legais, argumentando o que seria o assunto. E que era questão dos requerimentos dos direitos dos familiares dos internos, sem distinguir quem era A ou B ou C”, relatou Floriano.

O encontro não aparece nos registros oficiais da agenda do ministro, mas uma fonte ligada ao órgão confirmou que a audiência aconteceu no dia 4 de julho, durou cerca de 20 minutos e que, embora o Torquato soubesse que se tratava de assistência social a famílias de presidiários, foi surpreendido com a presença dos parentes dos detentos.

Igreja

Pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus, Francisco Floriano, 58 anos, exerce o seu segundo mandato como deputado federal. Ele foi eleito pelo PR, que trocou em 2016 pelo DEM. Trata-se de um dos aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do mesmo partido.

Em sua biografia, consta o fato de ter sido um dos fundadores da Igreja Universal do Reino de Deus, ao lado do bispo Edir Macedo, no começo dos anos 1980. Na década seguinte, ajudou na criação da Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada por Valdomiro Santiago, inimigo histórico de Macedo.

Polêmica

Desde que concedeu uma entrevista no início da semana passada, expondo a sua visão sobre as relações entre autoridades do Rio de Janeiro e líderes do crime organizado, o ministro da Justiça está em uma espécie de “quarentena”. Na ocasião, ele criticou o fato de o comando da PM (Polícia Militar) é indicado por deputados e que comandantes de Batalhões são sócios do crime organizado. E isso provocou a ira de aliados do presidente Michel Temer.

Também na semana passada, o governador fluiminense Luiz Fernando Pezão pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que exija explicações por parte de Torquato Jardim sobre a fala polêmica. A Comissão de Segurança Pública da Câmara quer convocá-lo para que ele dê “nomes aos bois”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, cobrou uma manifestação pública do governo. Mas, apesar do que o próprio Palácio do Planalto chamou de “climão” provocado por Torquato, a ordem é esperar a poeira baixar.

Aproveitando o recesso do feriado prolongado, o próprio presidente Temer apaziguou os ânimos e o ministro Torquato esteve no Palácio do Jaburu por duas vezes na última sexta-feira. Ele deixando o encontro garantindo que adotou um silêncio bíblico, citando até a sabedoria de Salomão, “que nos ensina que há tempo de falar e tempo de calar”. Depois de falar demais, agora Torquato está calado.

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