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Mundo Um festival neonazista em homenagem ao aniversário de Adolf Hitler preocupou as autoridades da Alemanha

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O país europeu testemunha o ressurgimento de movimentos supremacistas. (Foto: Reprodução)

Centenas de neonazistas se reuniram nessa sexta-feira, dia do aniversário de Adolf Hitler (1889-1945), na cidade de Ostritz, no Leste da Alemanha, para realizar um festival polêmico. Os extremistas, em sua maioria homens, vestiam camisetas com lemas de extrema-direita como “branco é a minha cor preferida” e “Adolf era o melhor”.

A primeira edição do evento Schild und Schwert (“Escudo e Espada”, na tradução para o português) ocorre em um município de 2,4 mil habitantes na antiga Alemanha Oriental, próximo da fronteira com a República Tcheca e com a Polônia. O festival, que termina neste sábado, conta com segurança garantida por integrantes de um grupo denominado “Fraternidade Ariana”.

De acordo com o jornal “Sächsische Zeitung”, mais de mil policiais foram destacados para a segurança do evento. Há, também, patrulhas em botes no rio Neisse, em cuja margem é realizado o festival. Como precaução adicional, o tribunal regional proibiu garrafas de vidro e o consumo de álcool, assim como algumas raças de cães.

Os organizadores estimam em 800 o número de participantes. Segundo militantes da rede antifascista Antifa, no entanto, o festival pode atrair cerca de 3,5 mil neonazistas. Além dos participantes alemães, espera-se a chegada de simpatizantes oriundos de países da Europa oriental, onde é forte a presença de grupos xenófobos – não por acaso, o lema do evento é “Reconquista da Europa”.

Dentre as atrações estão shows de bandas de rock de círculos ultranacionalistas, debates políticos, combates de artes marciais e um congresso de tatuadores. Schild und Schwert conseguiu evitar a proibição do festival porque o Tribunal Constitucional considerou que a reunião era muito pequena para representar um perigo. A Constituição alemã garante o direito de organizar congregações pacíficas ao ar livre. Mas por lei, os símbolos nazistas, como a suástica, são proibidos de serem ostentados em público.

O festival é realizado em um momento em que a Alemanha experimenta um ressurgimento dos movimentos de extrema-direita, alimentado pelos temores suscitados pela chegada maciça de refugiados sírios e afegãos em 2015.

Repúdio

Em resposta Autoridades políticas e religiosas de Ostritz e associações civis locais convocaram um Festival da Paz, reunião com caráter familiar no centro da cidade. Centenas de pessoas participaram da contra-manifestação.

“O fascismo não é uma opinião, é um crime”, afirmou um de seus organizadores, Mirko Schultze, 50 anos. “Tentamos ocupar o espaço público em volta para dizer que defendemos a democracia aqui e para que Ostritz não se transforme em seu novo campo de encontro.”

Neonazistas costumam fazer shows clandestinos para arrecadar fundos e recrutar novos membros. Mas a realização desse festival com um terreno para acampar e uma entrada custando 45 euros para dois dias representa, segundo seus críticos, um passo preocupante dos círculos ultranacionalistas.

Além do dia escolhido para o festival, também chama a atenção que suas iniciais sejam “SS”, lembrando os temíveis esquadrões de elite de Hitler. Uma pessoa de 75 anos que vive perto do lugar onde se organiza o festival e que pediu para não ser identificada disse à AFP que “é uma vergonha que o governo não possa proibir isto apesar de todo o mal que Hitler trouxe para a Alemanha”.

 

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