Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de abril de 2018
Parte do cotidiano de milhões de venezuelanos, os cortes de água irritaram um governador chavista incomodado por não poder encher sua piscina, uma queixa que gerou indignação e ironias no país. Rafael Lacava, governador do estado de Carabobo, no Norte do país, postou no Twitter, na segunda-feira, um vídeo em que mostra, revoltado, a piscina de sua residência oficial vazia devido à falta de água.
“Assim está a piscina da casa do governador. Não há água!”, reclamou Lacava, de 49 anos, mais conhecido por seu plano de segurança batizado como “Carro de Drácula” que, segundo ele, reduziu os índices de criminalidade.
O funcionário ainda ameaçou a empresa pública que fornece água. “Se amanhã à noite eu vir que não houve qualquer tipo de melhoria na distribuição, vai sair o Carro do Drácula. Estou avisando”, alertou.
Os racionamentos de água atingem todo país, que possui algumas das maiores reservas hídricas do planeta, mas não conta com uma infraestrutura adequada, segundo especialistas. A atitude de Lacava causou reações de revolta e ironia.
“Pobrezinho do Lacava, não tem água na piscina. Como a vida é cruel! E pensar que seis crianças morreram esta semana porque não tinham comida, e quem sabe quantos venezuelanos morreram porque não têm remédios”, disse uma internauta no Twitter.
“Isso não pode acontecer em uma democracia! Exigimos que enviem água para a piscina de Lacava e um pato inflável”, comentou outra usuária. O governador Lacava costuma ser alvo de polêmicas por suas extravagâncias, como quando chegou montado em um burro para registrar sua candidatura em 2017 ou por sua política de segurança que inclui o tele-denúncias “0800Drácula”.
Intervenção
Os venezuelanos estão “sequestrados” por um “regime opressor” e sofrem uma “catástrofe” econômica e social que demanda uma “intervenção humanitária” internacional, declarou em entrevista com a Agência Efe o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma.
“Invoco, em nome do martirizado povo da Venezuela, o início da intervenção humanitária” prevista em convenções e resoluções internacionais, disse Ledezma em Brasília, onde se reuniu com autoridades do governo de Michel Temer e pediu apoio para os “democratas venezuelanos”.
Segundo ele, “o mundo sabe que na Venezuela há 26 milhões de pessoas sequestradas”, com seus direitos políticos suprimidos, na prisão por suas “ideias” e imersos na miséria e na fome, o que gerou um êxodo em massa cujos efeitos já são sentidos nos países que receberam uma inesperada e crescente onda migratória.
“Quando uma sociedade ou uma família é vítima de um sequestro, os organismos de segurança atuam”, afirmou Ledezma, exilado na Espanha desde novembro do ano passado, quando fugiu – ou “se autolibertou”, como ele diz – da casa onde cumpria prisão domiciliar e deixou seu país.
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