Terça-feira, 22 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Um novo ano se inicia para o Brics: formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, terá também Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Egito entre seus membros

Compartilhe esta notícia:

A Argentina retirou sua adesão na semana passada. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Um novo ano se inicia com uma nova fase para o Brics e para o tabuleiro político internacional. Atualmente, o grupo — formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia e China e, desde 2011, pela África do Sul — terá também Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Egito entre seus membros. Com a expansão, o clube de países emergentes passa a representar 27% do PIB mundial e 43% da população do planeta.

A Argentina retirou sua adesão na última sexta. Ainda na campanha presidencial, o presidente ultradireitista Javier Milei declarou que não se alinharia a “comunistas”, termo que então se referia a alguns dos países do Brics. A decisão não surpreendeu Brasília, mas é um revés para o governo brasileiro, que inicialmente foi contra a expansão por temer a diluição de seu poder. Voto vencido quanto à ampliação do grupo, a presença do aliado sul-americano ao menos atendia aos interesses regionais do Brasil e representava uma tentativa de equilibrar as forças internas ante uma liderança natural da China.

Para alguns analistas, a natureza predominantemente econômica na qual o Brics se baseava quando foi fundado deu lugar a uma força antagônica à hegemonia dos Estados Unidos, sobretudo com o acirramento das tensões entre Pequim e Washington nos últimos anos — embora alguns membros do próprio grupo, como Brasil e Índia, tentem afastar tal ideia. Nesse sentido, uma das principais agendas é promover a desdolarização da economia global.

Um dos defensores mais vocais da desdolarização é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no ano passado criticou a predominância do dólar em mais de uma ocasião. Para Maurício Santoro, cientista político e professor de Relações Internacionais da Uerj, “um mundo com mais opções além do dólar” seria interessante para o Brasil, que tem Pequim como maior parceiro comercial — embora menos de 1% das transações brasileiras sejam feitas em yuan, contra 90% em dólar.

“Se a gente passar a fazer a maior parte do comércio com a China na moeda chinesa, isso vai baratear os custos de transação”, afirma Santoro, destacando que a manobra também facilitaria a inserção de empresas brasileiras no mercado financeiro chinês. “Para o Brasil, há benefícios econômicos e também políticos dentro da visão do presidente Lula, que quer dar ênfase nas relações com países do Sul Global.”

Segundo Daniel Sousa, economista e apresentador do podcast Petit Journal, outra vantagem é o aumento do poder de negociação.

“No caso de países como o Brasil e a Índia, que não têm uma ambição de impor as suas moedas como hegemônicas, se o sistema se tornar multipolar, aumenta a capacidade deles de barganha”, analisa. “Os americanos chegaram a declarar quando houve a expansão [do Brics] que “isso não nos preocupa”. O que é a maior prova que preocupa, porque se não preocupasse, não falariam nada.

Para Sousa, “a moeda é um dos braços do projeto político hegemônico” americano. “Ao conseguir emplacar a dolarização, o primeiro benefício é que os EUA não tão sujeitos à flutuação cambial: como tudo é cotado em dólares, os americanos lidam com uma variável a menos de risco”, explica o economista.

Além disso, a dolarização concede aos EUA um enorme poder de influência sob a dinâmica do sistema financeiro internacional, determinando quando há mais ou menos dinheiro em circulação. Segundo Sousa, o país ainda se posiciona naturalmente como um dos principais financiadores e emprestadores mundo afora através do Fundo Monetário Internacional (FMI), no qual detém a maioria das cotas.

“Os EUA conseguem influenciar a agenda de outro país porque ele depende dos americanos. E, claro, estar fora dessa agenda quando o dólar é a moeda de referência tem um peso.”

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, o uso da moeda americana como arma política ganhou novos contornos a partir do congelamento das reservas russas em bancos ocidentais e a expulsão do país do principal sistema de pagamento internacional, o Swift. Como efeito, Moscou e seus parceiros precisaram encontrar alternativas para continuar suas operações, o que acabou impulsionando o uso de moedas locais, sobretudo a chinesa.

“A guerra aproximou a China e a Rússia. Por exemplo, as exportações de petróleo para a China feitas pela Rússia são pagas hoje em yuan num sistema paralelo administrado pelo Banco da China”, explica Alexandre Costa, ex-consultor da instituição, doutor em Relações Internacionais e secretário da International Political Science Association.

Segundo Santoro, as sanções à Rússia deixaram uma “lição muito amarga” de que não se pode confiar no dólar, motivando uma busca por “outra ferramenta que não esteja sujeita ao poder dos Estados Unidos”: “As lições estão sendo compartilhadas por países como a China. Se daqui a cinco ou dez anos o país entrar numa guerra contra os EUA por causa de Taiwan, Pequim quer evitar que seus ativos em dólar no exterior passem por um confisco semelhante. O mesmo vale para o Irã, que tem um longo histórico de conflitos com o Ocidente.”

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Japão remove alerta de grande tsunami após terremoto de magnitude 7,6
Entenda como Trump pode ficar de fora das eleições para presidente em alguns Estados norte-americanos
Pode te interessar