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Colunistas Um presidente entediado com o Brasil

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

É impressionante como Lula se dedica ao destino do mundo e como ele desconsidera o fato de que a tarefa que lhe foi confiada pelos brasileiros foi governar o Brasil, resolver e encaminhar as soluções para os problemas do país.

O presidente tem uma visão restrita e limitada da função. Ele parece entediado com o Brasil. No caso, tudo o que ele aparenta buscar – a qualquer custo – é uma maioria folgada no Parlamento, que lhe permita andar pelo mundo com as suas chorumelas, cobrando dos demais governantes ( principalmente os dos países ricos) as soluções que salvarão o planeta.

Desse modo ele vai à Delhi, na Índia, e diante do G-20 – os 20 países mais ricos do mundo –, faz a autocrítica em nome de todo o colegiado e bate de frente contra o neoliberalismo, a versão supostamente mais sórdida do capitalismo. É o santo guerreiro contra o dragão da maldade.

A pobreza, as desigualdades decorrem de uma conspiração dos ricos e dos poderosos, os bem-nascidos do centro do mundo. Claro, os Estados Unidos à frente, o grande mentor, executor e beneficiário da trama sinistra. Lula acredita que dessa forma, condenando os países ricos, se chegará finalmente à redenção da humanidade e que assim será lembrado pela história. Ele acredita em Marilena Chauí, que cunhou a frase famosa: “quando Lula fala, o mundo se ilumina”.

Criticando a concentração da renda na mão dos ricos, ele passa ao largo do fato notório: o Brasil é um campeão das desigualdades sociais e da concentração da renda e da riqueza.

É verdade que as ações do seu governo têm o propósito de minorar a pobreza e, portanto, reduzir as desigualdades. Mas o conjunto das proposições se resume às fórmulas envelhecidas do Estado indutor e produtor de toda a riqueza.

São escassas as palavras e as ações do governo no sentido de incentivar os investimentos, facilitar as atividades produtivas, criar um ambiente que facilite a abertura e o desenvolvimento de negócios, empresas e agentes econômicos. O governo Lula não gosta do mercado, não gosta de empresários, não gosta de empresas. Tudo tem de vir do Estado, o velho e ruim Estado, que em passe de mágica, fará brotar do chão os bens, os serviços, as riquezas.

Se um governo anterior, como o de Temer, promove uma reforma, ainda que pífia, como a reforma trabalhista, que de algum modo barateia os custos do emprego no Brasil, entre os mais altos do mundo, hordas de arautos saem a campo para afirmar que estão retirando direitos e prejudicando a classe trabalhadora. É como se fosse possível criar os empregos sem as empresas.

O governo do PT é bom para chacoalhar as árvores e colher as frutas. Mas o partido não tem a menor vocação para plantá-las, cultivá-las até que se tornem produtivas.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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