Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de agosto de 2018
Um protesto organizado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra sua inelegibilidade causou um longo engarrafamento nas principais vias da capital federal na manhã desta terça-feira (14). Centenas de manifestantes interditaram o acesso ao Aeroporto Internacional de Brasília e ao Plano Piloto, região onde se concentram o Congresso, os ministérios, e diversas instituições públicas e privadas. No total, o MST afirmou que havia cinco mil pessoas.
O objetivo dos manifestantes é pressionar a Justiça contra a prisão do ex-presidente Lula. Ele foi condenado em primeira e segunda instâncias na Operação Lava-Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá, no Litoral de São Paulo. A Justiça estipulou pena de 12 anos e um mês e o ex-presidente está preso em Curitiba desde 7 de abril.
Segundo o MST, o protesto foi organizado em marchas com pessoas vindas de diferentes regiões do País: a coluna Prestes vem do Sul e Sudeste, saindo do aeroporto. Nessa região, eles foram sendo escoltados pela PM (Polícia Militar). A coluna Tereza Benguela, composta por militantes do Centro-Oeste, partia da rodoviária, enquanto a coluna Ligas Camponesas saíam do Balão do Torto, região próxima à residência de campo do governo brasileiro em Brasília.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal informou que liberou as faixas exclusivas para a melhoria do fluxo. Cerca de 26 quilômetros estavam congestionados no início da manhã de terça-feira. O grupo se concentrou no entorno do Estádio Mané Garrincha, no Centro da capital. O Partido dos Trabalhadores deve registrar a candidatura do ex-presidente nesta quarta-feira (15), o prazo final para registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Bandeiras
Marco Baratto, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, afirma que o ato é histórico para a organização. “Esse momento é importante porque vai ser a consolidação de um processo de retomada do debate com a sociedade, e a nossa marcha cumpre esse papel”, explica. Os militantes levantam três bandeiras que representam algumas de suas principais reivindicações. As delegações da região amazônica e do Centro-Oeste (na Coluna Tereza de Benguela) pautam a soberania popular; os Estados nordestinos (da Coluna Ligas Camponesas) se somam com a faixa Lula Livre; e as regiões Sul e Sudeste (na Colunas Prestes) pontuam o tema Terra, Trabalho e Moradia.
New York Times
Lula é destaque nesta terça (14) no mais importante jornal mundial, o The New York Times. O periódico publicou artigo de Lula com a a seguinte advertência aos leitores: “O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva escreveu este artigo de opinião da prisão”. O NYT deu como título: “Lula: Eu quero democracia, não impunidade” e destacou: “Há um golpe de direita em andamento no Brasil, mas a justiça prevalecerá”.
Em outra parte do texto o ex-presidente afirma: “(…) Os governos do PT conseguiram reduzir a pobreza em mais da metade em apenas oito anos. Nos meus dois governos, o salário mínimo aumentou 50%. Nosso programa Bolsa Família, que auxiliou famílias pobres ao mesmo tempo em que garantiu que as crianças recebessem educação de qualidade, ganhou renome internacional. Nós provamos que combater a pobreza era uma boa política econômica.
Mas este progresso foi interrompido. Não através das urnas, embora o Brasil tenha tido àquele momento eleições livres e justas, mas com a interrupção de um mandato da presidente Dilma Rousseff, que sofreu impeachment e foi destituída do cargo por uma ação que até mesmo seus oponentes admitiram não ser um gesto passível de punição. Eu também fui mandado para a prisão, depois de um julgamento duvidoso sobre acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.
Meu encarceramento foi a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil. Pretende-se impedir que o Partido dos Trabalhadores seja novamente eleito para a presidência”.
Os comentários estão desativados.