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Colunistas Um Rei na Cidade

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Foto: Giulian Serafim/PMPA

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Porto Alegre tem recantos e tem encantos. O pôr do sol e o Guaíba, um ponto rural, a estátua do Laçador olhando quem chega, o Quarto Distrito ressuscitando, a velha ponte móvel que ganhou outro braço mais moderno, as Perimetrais, a a Ipiranga, não a do grito de Dom Pedro, mas a que divide a Cidade ao meio e recebe a Rede Pampa, com suas novas instalações.

Junto, o Grenal, a boemia da Cidade Baixa, as Vilas, os Bairros, o Centro que se encontra com o Cais, o Parque da Redenção e outros tantos, os espaços culturais, bares, bistrôs e os restaurantes pra todas as sedes, pra todas as fomes. Então, num bairro nobre, numa avenida nobre, um cantinho se mantém como por teimosia.

Espaço acanhado nas poucas mesas com toalhas coloridas, onde a clientela fiel se reveza atrás do mesmo cardápio desde o primeiro dia. Tele entrega? Só por telefone. Uma placa simples na frente traz um nome sugestivo, Rei do Mocotó. Recebendo as pessoas como se elas estivessem em casa, a família Bassoti. Irene, uma grande mulher, os filhos, Rafael e Tiago, com as patroas, Fernanda e Adriele que sempre se somam nos rotineiros dias de movimento e um personagem especial. Dono de um sorriso largo, que nos envolve numa conversa solta, o Serginho. Ali ele é dual, chimango e maragato.

No pequeno espaço da Cel. Bordini, beirando a Cristóvão Colombo, as paredes repletas de fotografias de clientes conhecidos ou apenas amigos de afeto, todos sentam, conversam, bebem e comem, faça frio ou calor, o suculento mocotó da nossa autêntica culinária gaúcha. Lá estão todas as tribos e nós, ilustres desconhecidos, mas que o Serginho conhece pelo nome. Da banca de verduras na extinta Cobal, onde tudo começou, eles foram completar a renda com as quentinhas. As filas não pararam.

Na semana do aniversário de Porto Alegre, o Rei do Mocotó está fazendo 30 anos. Na casinha da Bordini eles conservam o mesmo sabor daquela iguaria desde o dia que abriram as portas , na contramão do bairro que não para de crescer. Um local charmoso e icônico que se tornou marca da Cidade. Ali as panelas falam, as terrinas fumegantes chegam às mesas com cheiros e sabores que nos fazem retornar sempre e torcer por mais 30 anos.

*Eduardo Battaglia Krause – Advogado e escritor

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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