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Brasil Uma briga de casal pode ter dado início ao incêndio no prédio que desabou em São Paulo

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Após as chamas, o edifício desabou. (Foto Paulo Pinto/Fotos Públicas)

Uma briga de casal é apontada como a possível causa para o incêndio que provocou o desabamento de um prédio no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, na madrugada de terça-feira (1º). As informações foram passadas por Gabriel Archangelo, de 21 anos, que testemunhou o momento em que um casal discutia no quinto andar, local onde tiveram início as chamas. Embora fosse proibido, eles cozinhavam com álcool como combustível. O marido colocava mais líquido na fogueira quando a mulher o empurrou.

As roupas dos dois pegaram fogo. Eles arrancaram tudo do corpo e desceram nus com os filhos pela escadaria. Gabriel avisou à mãe para levar seus 11 irmãos para baixo e correu até o décimo andar berrando “fogo, fogo!”. Não deu tempo de todo mundo sair. Não deu — lamenta Archeangelo, enquanto abria uma garrafa de vinho. — É o que sobrou para fazer.

Atrás das paredes amarelas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Gabriel e outros moradores estavam sobre cerca de dez colchões e cercados de vizinhos de outras invasões e pedestres curiosos. Eles estavam desesperançosos. Por volta das 9h, apenas a Guarda Civil Metropolitana havia feito um cadastro de quem perdeu tudo na madrugada para fornecer os colchonetes. Segundo eles, a prefeitura de São Paulo ainda não havia oferecido assistência.

“A gente é invisível mesmo”,  disse uma mulher, vítima da tragédia, enquanto acendia um cigarro.

Logo ao lado, Fábia Rodrigues da Silva, de 30 anos, chorava. Ela morava num quartinho no 3º andar com os dois filhos, um menino de 17 anos e uma garota de 10. Pagava R$ 400 mensais de aluguel e dividia o banheiro com outras 15 famílias que moravam no mesmo pavimento.

“Acordei com uma gritaria, achando que era briga. Quando vi que era incêndio, mandei meus filhos descerem e fiquei procurando nossos documentos”, conta Fábia, que trabalha como assistente de limpeza de um cinema. A moça, que também desceu com sua cachorra Mel, chegou a ver o amigo, conhecido apenas como Tatuado, pendurado em uma corda, sendo resgatado pelos bombeiros. Antes que o rapaz chegasse ao chão, o prédio desabou. O homem morreu. Fábia se desesperava ao falar de outras duas amigas que estão sumidas: Selma, mãe de gêmeos pequenos, e Eva.

Os moradores dizem que, só na região do Largo do Paissandu, há 20 ocupações. As regras no prédio eram rígidas, relatam as vítimas. A água só era liberada de madrugada, e os portões eram trancados às 19h. “Estava tudo trancado na hora do fogo. Se não fosse um morador de rua arrebentar a corrente, a gente teria morrido lá dentro”, diz Fábia.

Há dois meses, funcionários da prefeitura estiveram no prédio fazendo o cadastro das famílias, com a promessa de realocá-las. Em frente aos escombros em chamas do prédio que já foi da Polícia Federal, Rogério Baleki exibia um documento datado de 24 de novembro de 2015 e assinado pelo promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo, Reynaldo Mapelli Júnior. O ofício informa a instauração de um inquérito para apurar as condições da ocupação. “Isso não é acidente. O prédio foi vistoriado dias depois”, diz Baleki, que morou no prédio ao lado por alguns anos.

Possíveis causas

Ainda não se sabe o que causou o fogo, peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo analisam dois botijões de gás encontrados nos escombros.

O capitão Marcos Palumbo, porta voz dos bombeiros, disse que outras hipóteses serão apuradas, como curto-circuito. “A única certeza até agora que temos é a de houve um incêndio e só análises aprofundadas dirão o que causou.”

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