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Brasil Uma em cada três cidades brasileiras tem mais aposentados do INSS do que trabalhadores com carteira de trabalho assinada

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Na maioria dessas localidades, a economia é pouco dinâmica, altamente focada na administração pública e na informalidade. (Foto: Arquivo/ABr)

Uma em cada três cidades brasileiras já tem mais aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que trabalhadores com carteira assinada, que contribuem para o Regime Geral da Previdência Social. Os estudos apontam que na Bahia, dos 417 municípios, 276 cidades possuem mais aposentados que trabalhadores formais. O Estado fica atrás do Ceará (dos 184 municípios, 134 têm mais aposentados) e Maranhão (dos 217 municípios, 152 têm mais aposentados). Os dados são de levantamento feito pela CNC (Confederação Nacional do Comércio).

No fim de 2017, essa era a realidade de 1.874 cidades, 33% dos 5.570 municípios do País. Se também são consideradas cidades onde o número de aposentados é igual ao de ocupados no setor formal, esse percentual alcança 38%. Os dados foram extraídos de relatórios da Secretaria da Previdência e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais). Ainda de acordo com o jornal, o cruzamento de dados que identificou que um terço das cidades brasileiras já tem mais aposentados que trabalhadores formais exclui da conta os aposentados do funcionalismo público com regime próprio e os trabalhadores informais, e considera dados de 2017, os últimos disponíveis.

MS

Deodápolis, Glória de Dourados, Sete Quedas e Vicentina são as quatro cidades de Mato Grosso do Sul onde vivem mais pessoas aposentadas do que trabalhadores formais. Os municípios sul-mato-grossenses contribuem para a estatística no Brasil, onde uma em cada três cidades tem mais aposentados do INSS que trabalhadores com carteira assinada, que contribuem para o Regime Geral da Previdência Social.

Para especialistas, os números reforçam a necessidade da reforma da Previdência, que acaba com as aposentadorias precoces, deixando os trabalhadores mais tempo em atividade. Os entrevistados afirmam que são justamente as aposentadorias precoces que aprofundam o desequilíbrio entre o contingente de pessoas contribuindo para o sistema e o total de beneficiários.

O jornal O Globo traz uma análise que aponta para a falta de dinamismo econômico em cidades onde há mais aposentados que trabalhadores em atividade. Carlos Eugenio de Carvalho Ferreira, chefe da Divisão de Projeções Populacionais da Fundação Seade, afirma que a combinação de êxodo de jovens em busca de oportunidades, retorno de aposentados que procuram segurança e qualidade de vida, alta informalidade da economia e criação de “cidades-dormitórios” pode ser uma tendência futura. Nestes locais, jovens têm mais dificuldade de encontrar trabalho, porque dependem justamente da renda dos aposentados e tais cidades acabam por oferecer poucas vagas formais. A recuperação econômica desses municípios é mais lenta, conforme os entrevistados.

 

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