Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de março de 2020
Uma mulher de 103 anos foi curada do novo coronavírus no Irã, apesar da alta mortalidade que sofrem as pessoas com mais de 70 anos, informou a agência oficial iraniana Irna. A paciente havia sido hospitalizada na cidade de Semnan, a 180 quilômetros ao leste de Teerã, informou a Irna, que não especificou em qual cidade vive a mulher.
Ela foi “autorizada a sair do hospital depois de ter se recuperado totalmente”, disse Navid Danayi, diretor do centro hospitalar universitário da cidade, à agência.
Segundo a Irna, a idosa é a segunda paciente de idade muito avançada que contrai a doença covid-19 e se recupera no Irã. A agência cita o caso de um homem de Kerman, no sudeste do país, que sobreviveu à pneumonia viral aos 91 anos. Ele se curou depois de ter estado doente durante três dias, apesar de sofrer de hipertensão e asma, dois agravantes. Não foi especificado qual tratamento esses dois pacientes receberam.
Fora da China, país onde se registraram os primeiros casos da doença no final de 2019, o Irã é um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19. Quase mil pessoas morreram devido ao novo coronavírus, que não perdoa nenhuma das 31 províncias do País, segundo o último balanço oficial, que registrava mais de 17 mil contagiados.
Em 9 de março, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que dos 80 mil casos de enfermos que foram reportados na China, “mais de 70%” estava curados. Segundo um informe da OMS feito em colaboração com as autoridades chinesas, a taxa de mortalidade alcança 21,9% para os pacientes de covid-19 que têm mais de 80 anos.
Prisioneiros libertados
O Irã libertou temporariamente cerca de 85 mil prisioneiros, inclusive políticos, em reação à epidemia de coronavírus, informou um porta-voz do Judiciário na terça-feira.
“Até agora, cerca de 85 mil prisioneiros foram soltos… além disso, adotamos medidas de precaução nas prisões para confrontar o surto”, disse o porta-voz do Judiciário, Gholamhossein Esmaili. Ele não detalhou quando os presos libertos terão que voltar às celas.
Um dia depois de o Irã libertar 70 mil prisioneiros no início de março, o relator especial das ONU para os direitos humanos no Irã, Javaid Rehman, disse que pediu para Teerã soltar todos os prisioneiros políticos temporariamente de suas prisões superlotadas e infestadas de doenças para ajudar a conter a propagação do coronavírus.
Rehman disse que só aqueles que cumprem penas menores de cinco anos foram libertados, enquanto detentos com penas maiores e aqueles responsabilizados por participarem de protestos anti-governo continuaram presos.
O Irã soltou ao menos uma dúzia de prisioneiros políticos nos últimos dias, de acordo com ativistas e grupos de direitos humanos, mas prisioneiros políticos destacados permanecem trancafiados.
Os Estados Unidos pediram a libertação de dúzias de presos com dupla nacionalidade ou estrangeiros detidos sobretudo por acusações de espionagem no Irã, dizendo que Washington responsabilizará o governo diretamente por qualquer morte de norte-americanos.
Os governantes clericais iranianos se recusaram a interditar cidades, apesar do número de mortes crescente e da incidência de casos novos, mas exortaram as pessoas a evitarem viajar ao exterior antes do Ano Novo do Irã, em 20 de março, em meio aos temores de uma disseminação maior do vírus.
Muitos iranianos ignoraram os apelos das autoridades de saúde para que fiquem em casa, e lojas e restaurantes continuam abertos na nação. Uma medida rara foi o establishment interditar os sítios e santuários muçulmanos sagrados de Mashhad e Qom, o epicentro do surto de coronavírus no Irã.
Autoridades disseram que as sanções dos EUA, reimpostas a Teerã desde que Washington se desligou do acordo nuclear de 2015 com o regime e seis potências, atrapalham a luta do Irã contra a doença. As informações são das agências de notícias AFP e Reuters.
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